Pré-candidata do PT à sucessão presidencial, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) evitou nesta terça-feira avaliar os desdobramentos para o PSDB na disputa eleitoral do suposto esquema de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM). Apesar de reconhecer que PSDB e DEM estarão lado a lado, para a ministra, a única avaliação possível neste momento é que os candidatos democratas estarão prejudicados.
A ministra não quis comentar, ao chegar para a festa de lançamento das comemorações de 30 anos do PT, se o escândalo de um suposto esquema de pagamento de propina pode ajudar sua campanha, uma vez que a oposição perde um de seus discursos para enfraquecer o PT, que também foi acusado de um esquema semelhante em troca de apoio a parlamentares em votações importantes no Congresso.
"Eu olho essa questão com cautela e acredito que ela compromete o DEM. Não tenho como fazer essa suposição [de que PSDB também sai prejudicado]", disse.
A ministra classificou de "estarrecedoras" as imagens mostrando políticos, inclusive o governador Arruda, recebendo dinheiro de suposta propina. Dilma contrariou a recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que imagens até podem ser manipuladas, mas neste caso, com o número de gravações, fica difícil acreditar que teriam passado por montagem.
Dilma disse ainda que o mensalão do DEM e o mensalão do PT são diferentes porque o processo do STF (Supremo Tribunal Federal) que não apresenta "provas contundentes" contra eles.
Para a ministra, esses escândalos de corrupção, mostram que é preciso encontrar uma forma de acelerar a análise de processos judiciais que envolvem corrupção e dinheiro. "Esses processos devem ser mais rápidos, garantindo, claro, o direito de defesa", afirmou.