O deputado distrital Rogério Ulysses (PSB) subiu à tribuna da Câmara Legislativa nesta quarta-feira para se pronunciar pela primeira vez desde que teve o seu nome citado no inquérito da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM), deputados distritais e empresários do DF. Ulysses, que foi citado em um dos vídeos divulgados pela PF, afirmou que retornará à presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O parlamentar falou sobre as acusações de que teria participação no escândalo. "Não há, não houve e não haverá nenhum vídeo em que eu apareça com este crápula do Durval Barbosa. Meu nome foi mencionado em uma conversa covarde na qual eu não estava presente", afirmou. "Qualquer figura pública desta cidade poderia ter sido citada naquele momento."
Ulysses disse que vai retornar à presidência da CCJ, encerrando a licença que havia pedido na semana passada. "Me sinto na responsabilidade de voltar para dar celeridade ao andamento do pedido de CPI e aos requerimentos de impeachment", afirmou.
O deputado também anunciou o seu desligamento de todos os blocos parlamentares da Câmara. "Quero independência para me defender. Já assinei todos os pedidos de CPI e busco uma oportunidade para fazer minha defesa perante o Conselho de Ética desta Casa", afirmou. Rogério Ulysses informou ainda que vai disponibilizar a quebra voluntária de seus sigilos bancário, telefônico e fiscal.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados neste mês, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.