Um relatório realizado pela Cruz Vermelha Internacional após o bombardeio ordenado por forças alemãs na região afegã de Kunduz revela que o ataque causou 74 vítimas civis, incluindo várias crianças com idades entre 8 e 12 anos.

O relatório, qualificado como "altamente confidencial", informa que a operação ordenada pelo coronel alemão Georg Klein não esteve em concordância com o direito internacional, ao causar tão elevado número de vítimas civis, revela a revista alemã Stern.

O bombardeio aconteceu em setembro, quando um caça americano disparou dois mísseis por ordem do militar alemão contra dois caminhões-pipa com combustível que tinham sido roubados por rebeldes do Taleban que se encontravam junto ao rio Kunduz.

A Stern publicou que o novo ministro da Defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, recebeu uma cópia do relatório da Cruz Vermelha no último dia 6 de novembro e, apesar de tudo, horas depois, disse em entrevista coletiva que o ataque tinha sido militarmente adequado.

O relatório da Cruz Vermelha defende que é muito improvável que os Talebans tivessem a intenção de transformar os caminhões em bombas móveis com as quais iriam atacar soldados alemães, argumento utilizado por Klein para ordenar o ataque.

O documento ressalta que os dois caminhões atolaram no leito do rio Kunduz quando viajavam na direção oposta à base alemã, que, por esse motivo, não sofria uma ameaça iminente.

As informações sobre o bombardeio de Kunduz provocaram, no final de novembro, a renúncia do então ministro da Defesa, Franz Josef Jung - hoje ministro do Trabalho -, assim como a saída do general do Exército alemão e chefe do Estado-Maior, Wolfgang Scheiderhan, e do secretário de Estado de Defesa, Peter Wichert.

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