O Irã precisará de 20 usinas de enriquecimento de urânio do tamanho da que possui atualmente em Natanz (centro) para manter seu programa de geração de energia nuclear --que o Ocidente acusa de ser um disfarce para a produção de armas. O número informado pelo chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, Ali Akbar Salehi, em entrevista à rede de televisão estatal em inglês Press-TV.
Salehi afirmou ainda que Teerã não pensa em abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), apesar dos esforços renovados das potências ocidentais por um diálogo de desnuclearização.
Segundo Salehi, o Irã "precisa produzir 20 mil megawatts [de eletricidade nuclear], o que exige 20 vezes mais do que [a quantidade de urânio enriquecido em] Natanz".
A capacidade final da usina de Natanz deve ser de 30 toneladas de urânio enriquecido por ano, o suficiente para alimentar uma central nuclear, disse Salehi.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou esta semana sua decisão de construir dez novas usinas de enriquecimento de urânio, uma decisão que Teerã afirmou ser uma resposta à resolução de condenação aprovada pela da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A AIEA afirmou nesta semana que não tem confirmação direta do Irã sobre esses planos de ampliar sua capacidade de produção de urânio e que a informação de que dispõe chegou através dos meios de comunicação.
O governo iraniano afirmou que a expansão começará nos próximos dois meses com a construção de cinco plantas nucleares em locais já definidos e do tamanho da atual usina de Natanz. Outras cinco plantas serão estudadas.
O anúncio da construção de novas usinas foi visto como um grande golpe aos recentes esforços internacionais por um diálogo nuclear com Teerã, que chegou a assinar acordo para enriquecimento de seu urânio em solo estrangeiro.
Os especialistas indicam que na prática pouco muda a curto prazo. As novas instalações demoram anos para serem construídas e será muito difícil para o Irã conseguir urânio enriquecido para usar como combustível diante das sanções impostas pela ONU.
Os Estados Unidos e seus aliados temem, contudo, que as instalações deem ao Irã a capacidade de produzir armas nucleares e pediram para que o país encerre o processo de enriquecimento de urânio.