Os desembargadores que são citados nas gravações do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa negaram nesta sexta-feira (4) qualquer influência do governo distrital no Tribunal de Justiça do DF e Territórios.
Getúlio Pinheiro e Romeu Gonzaga Neiva negam qualquer favorecimento ou pressão para com os processos envolvendo Barbosa. Para Pinheiro, que é corregedor da Justiça do DF, não há como envolver qualquer desembargador em insinuações de “tráfico de influência”.
- Não vejo como se pode incluir [no processo] tráfico de influência, se nenhuma influência houve. Votei pelo recebimento da denúncia [contra Durval].
O desembargador Neiva negou também que tenha se comprometido com qualquer pessoa do governo de Arruda, a votar a favor de Durval Barbosa no processo em que o ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF era acusado de dispensa de licitação.
Segundo Neiva, ele recebeu os advogados de Barbosa, como é de “praxe” e que eles chegaram a comentar sobre a preocupação do governador já que o réu era integrante do governo e a decisão poderia mexer na tranquilidade do governo.
No diálogo receptado pela Polícia Federal, Arruda comenta com Barbosa a pressão sobre o Tribunal de Justiça do Distrito Federal em relação a um processo de interesse do governo. Na conversa ele diz, sem citar o conteúdo da ação, que um desembargador chamado “Romeu” teria se “comprometido com o mérito”. Para Neiva o diálogo deve ter sido resultado de um mal entendido dos advogados do caso.
- Quando eu dizia que ia pegar o processo para analisar, pode ser que tenha criado uma falsa intenção de que analisando a prova, eu poderia votar a favor do acusado [Durval Barbosa].
Neiva destacou, ainda, na resposta à solicitação de informações pedidas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que adotou “claro posicionamento que contraria o interesse do denunciado”.
O desembargador José Cruz Macedo, que é citado em uma conversa do chefe da Casa Civil do governador Arruda, José Geraldo Maciel, informou pela assessoria de imprensa do TJDFT que não terminou de formular as informações que serão enviadas ao CNJ e que por isso ainda não falaria com a imprensa. No diálogo gravado em 21 de outubro por Durval Barbosa, Maciel diz que o desembargador José Cruz Macedo pediu para que um sobrinho médico fosse transferido de um hospital da periferia para um central, de grande porte.
O escândalo envolvendo o governador Arruda, secretários de governo e deputados foi deflagrado na sexta-feira (27) durante a Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. O processo investiga um suposto esquema de pagamento de propina dentro do governo do DF.