Desgaste, decepção, irritação, indignação. Misturando todos esses ingredientes podemos nos aproximar do aparente sentimento de Edmílson em relação ao futebol brasileiro. Depois das seguidas investidas de violência por parte de facções da torcida organizada do Palmeiras aos jogadores, o volante não escondeu seu sentimento de revolta.

Na manhã desta quarta-feira, após o treino na Academia de Futebol, o jogador, de semblante abatido e entre suspiros de cansaço, criticou duramente o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. "Não faz nada por nós, mas descontam todo mês da nossa folha de pagamento", disse. Segundo ele, o atleta profissional é muito exposto no Brasil, para o bem e para o mal. "Se ganha, somos heróis. Se perde, somos bandidos", desabafou.

A crítica se estende também para os próprios jogadores e o comportamento da torcida. Por mais grave que tenha admitido ser o caso de agressão sofrida pelo atacante Vágner Love, em nenhum momento Edmílson fez questão de defender demais o companheiro e colocá-lo na posição de vítima.

"Tenho minha opinião, meu modo de ver as coisas e não gostaria de expressar. Muitas verdades não podem ser ditas publicamente. Cada ser humano sabe o que faz. A gente sai em defesa do nosso companheiro sempre, desde que ele esteja certo. Se o Palmeiras teve baixo rendimento, é culpa de todos: minha, do Diego Souza. Sempre falam que quando o Vágner chegou rachou o grupo, mas não é verdade. Ele tem as falhas dele, assim como eu tenho as minhas. Ele tem uma maneira diferente de viver fora de campo, mas isso é de cada um. Eu vejo e sei o quanto ele se dedica aqui todos os dias", afirmou.

Todos esses fatores fizeram Edmílson, um repatriado de sucesso, dizer que não indicaria para ninguém voltar ao futebol brasileiro. Isso é um claro e triste sinal da desilusão que o atleta demonstra em relação ao esporte no país. Segundo ele, os problemas não ficam apenas fora do campo. "O Campeonato Brasileiro é bom, tem grandes times, grandes jogadores, mas ainda precisa melhorar um pouco tecnicamente", afirmou.

Falta pouco ou quase nada para Edmílson conquistar no futebol. Jogou em grandes clubes no Brasil (São Paulo e Palmeiras), na Europa (Lyon e Barcelona) e vestiu inúmeras vezes a camisa da Seleção Brasileira, sendo tetracampeão do mundo em 2002 e um dos homens de confiança do então treinador Luis Felipe Scolari.

Chegou ao Palmeiras no início do ano, dentro de um planejamento do clube para atrair e segurar grandes jogadores, culminando com a conquista de títulos. Porém, as conquistas não vieram. Uma dupla eliminação no Paulista e na Libertadores da América fez com que o Brasileiro virasse obrigação. Porém, o troféu nacional segue improvável faltando apenas uma rodada para o final. Como parte deste projeto, Edmílson somente lamenta. "Não ganhamos título, agora vamos esperar 2010 para a diretoria decidir quem fica e quem sai do time", finalizou.