No próximo dia 10 de dezembro, o presidente Maurício Cardoso, encerra o seu mandato à frente do clube pernambucano, com o time rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Além disso, o atual mandatário pode terminar com outro feito negativo, em entrevista à rádio JC/CBN, de Recife, ele admitiu que deve deixar o clube com três meses de salários atrasados.
"Na minha gestão nós pagamos as 24 folhas salariais, porque eu peguei o clube com atraso de três meses do ano de 2007 e talvez, na pior das hipóteses, vou deixar as mesmas três neste ano de 2009, fora também o 13º salário. Fiz todo o esforço para não deixar esse vazio para o meu sucessor, mas certas coisas às vezes não tem jeito", explicou o presidente.
Este cenário de dívidas do Náutico é uma contradição ao ano que o clube mais arrecadou na história, ao todo foram R$ 23 milhões. Porém, o presidente apontou como motivo para não conseguir equilibrar as finanças do clube, o pagamento de dívidas trabalhistas antigas que retira da equipe 20% do orçamento.
"Você não tem noção do passivo dos clubes, esse acordo trabalhista que os clubes fizeram em 2003 em recolher 20% de todos os seus ativos para a Justiça do Trabalho é um acordo desumano. Para se ter uma idéia, durante a minha gestão eu recolhi cerca de R$ 4 milhões para a Justiça, não é brincadeira", desabafou o presidente, que revelou ter diminuido em mais da metade o número de processos em andamento.
"Em causas trabalhistas o Náutico deve em torno de R$ 17 milhões. É bem verdade que o clube tinha em 2003, quando surgiu esse acordo, mais de 300 processos na Justiça do Trabalho, hoje são por volta de 130. Não é brincadeira não, tem sujeito que joga três meses e tem mais de R$ 500 mil para receber", completou.
O cenário para o próximo presidente, que com a desistência de Toninho Monteiro será Francisco Dacal, não é dos melhores para a próxima temporada. Com o rebaixamento para a Série B, o Náutico vai deixar de arrecadar cerca de R$ 7 milhões, pois não é afiliado ao Clube dos 13.