Uma estiagem atípica na região dos rios Negro, que teve em 2009 uma cheia histórica, e Solimões vem deixando 14 mil famílias isoladas em cinco cidades do Amazonas. Os especialistas dizem que a estiagem ocorre em decorrência do fenômeno El Niño-- aquecimento das águas do Oceano Pacífico--, que interfere no regime de chuvas e no clima da Amazônia.
Os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Manaquiri, Caapiranga e Anamã já decretaram situação de emergência. Em São Gabriel e Santa Isabel, banhadas pelo Negro, os barcos que partem de Manaus com alimentos e combustível não conseguem mais atracar nos portos diante da falta de navegabilidade. Como alternativa, os ribeirinhos usam rabetas (canoa com motor) ou remam grandes distâncias.
Na cidade de Manaquiri, próxima a Manaus, aumentou para 60 km a faixa de rios e lagos com peixes mortos por falta de oxigenação das águas, que baixaram a níveis extremos.
O Serviço Geológico do Brasil, órgão federal que acompanha a dinâmica dos ciclos da vazante e enchente, diz que a falta de chuvas colocou o rio Negro, em Manaus, no nível de emergência, que é de 16 m. Abaixo desse índice, a navegação começar a ficar prejudicada.
De julho, quando houve o pico da enchente no Negro, o nível das águas do rio Negro desceu 13,78 m. Nesta terça-feira, a cota ficou em 15,94 m.
Com o fenômeno El Niño ativo, desde julho as chuvas estão abaixo da média normal, segundo Marco Oliveira, superintendente do Serviço Geológico. A tendência, diz ele, é que o mês de dezembro, que normalmente marca o início do inverno amazônico, seja de seca.