O MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo denunciou na última segunda-feira (30) três bolivianos que faziam outros bolivianos trabalharem em condições parecidas com as de escravos em três oficinas de costura na Casa Verde, na zona norte da capital paulista.

Os bolivianos foram presos em flagrante em uma operação da polícia no dia 4 de novembro e soltos dias depois por decisão da Justiça Federal. Eles são acusados também pelos crimes de formação de quadrilha, ocultação de estrangeiro irregular e frustração de direitos trabalhistas.

Segundo o MPF, há provas que um dos acusados pagou para que quatro bolivianos entrassem no país, em rota comercial de ônibus, por meio da fronteira seca com o Paraguai. O valor para cada pessoa trazida era de R$ 4.800.

Depois que chegavam a São Paulo, os bolivianos trabalhavam por mais de 12 horas por dia, com pausa apenas para refeição, sendo o almoço geralmente composto de linguiça e arroz, às vezes estragados. O esquema foi descoberto, quando um dos trabalhadores fugiu de uma oficina e procurou a polícia.

Como as testemunhas são bolivianas em situação irregular e podem ser extraditadas a qualquer momento, o MPF pediu que o juiz os ouvisse antes da acusação formal. Contudo, o pedido não foi aceito.