O diretor do IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo, Osvaldo Negrini Neto, segundo homem mais importante da hierarquia da instituição, é acusado por integrantes da banca do concurso para peritos de 2005 de venda de gabaritos e inclusão irregular de nomes de reprovados na lista de aprovados. É o que informa a reportagem de Rogério Pagnan e André Caramante para a edição da Folha desta terça-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

De acordo com a reportagem, Neto teria vendido o gabarito a um grupo de pessoas e, após mudança na prova --a banca do concurso descobriu a venda dos gabaritos-- incluiu o nome dos compradores das respostas na lista de aprovados.

A denúncia foi feita em 2005, mas nada foi feito. O perito, que presidia a banca do concurso, negou e classificou como "absurdas" as acusações.

Em outro caso de fraude, revelado pela Folha nesta segunda-feira (30), um concurso também realizado pelo Instituto de Criminalística da polícia de São Paulo, aplicado no último mês de julho, beneficiou parentes de diretores da instituição, entre eles o diretor-geral, José Domingos Moreira das Eiras.

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, determinou a suspensão do concurso --que teve cerca de 17,6 mil candidatos-- após a análise das imagens gravadas durante a prova oral, segunda fase do concurso.

Nas gravações, obtidas pela reportagem, um dos candidatos, posteriormente aprovado no concurso, demonstra nervosismo e erra boa parte das questões perguntadas. Ele não conseguiu definir, por exemplo, o que é um quadrado. De acordo com apuração, esse mesmo candidato é parente do diretor do instituto.