O Banco Central do Japão (BoJ) anunciou nesta terça-feira (1º) que injetará 10 trilhões de ienes (cerca de US$ 115 bilhões) nas instituições financeiras com a compra de ativos, para acalmar os mercados e respaldar a economia ameaçada pela deflação e a alta da moeda japonesa.

A medida não convencional, adotada por unanimidade no comitê de política monetária, será válida durante três meses. "Consideramos que é o meio mais eficaz para apoiar a recuperação econômica", explica um comunicado.

A segunda maior economia do mundo saiu da recessão no segundo trimestre deste ano, com um crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior. Até então, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrava três trimestres consecutivos de contração.

Os US$ 115 bilhões serão emprestados com prazo de três meses à taxa de 0,1%, aceitando, como colateral, bônus do governo japonês, bônus corporativos, commercial papers e contratos de empréstimos.

A nova linha de crédito deve "aumentar ainda mais o alívio das condições monetárias" e destina-se a "estimular um declínio adicional nas taxas de juros de longo prazo", segundo o comunicado do BOJ. O banco afirmou que é importante agir agora para ajudar a tirar a economia da deflação e prometeu cooperar com o governo para tentar ressuscitar a economia. A decisão foi tomada em uma reunião do comitê convocada às pressas, em meio à crescente preocupação de que a deflação e a valorização do iene possam comprometer a frágil recuperação econômica japonesa. Os membros do conselho do BoJ também decidiram por unanimidade deixar a taxa básica de juros em 0,1%, nível em que ela tem sido mantida desde dezembro de 2008.

Para analistas, as medidas anunciadas pelo BC são o reconhecimento das demandas do governo para uma resposta à deflação e ao risco de recessão. "Se eles (BC) fossem livres de pressão, eles não teriam feito nada, por eles têm dito que a visão deles não mudou", disse Dariusz Kowalczyk, estrategista-chefe do SJS Markets em Hong Kong.

Depois de rebater as críticas do governo de que sua visão sobre a economia era otimista demais, o BC mostrou sinais de que estaria cedendo e os analistas previam que a autoridade iria colocar dinheiro no sistema bancário.