O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta segunda-feira que entregará o poder "sem condicionamento algum" ao ganhador das eleições deste domingo, o candidato do opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo.
"A equipe do governo de transição completará sua tarefa entregando o poder sem condicionamento algum ao governante que a maioria dos cidadãos elegeu", disse Micheletti em uma declaração escrita distribuída pela Casa Presidencial.
Ele disse ainda que os hondurenhos "desafiaram, da mesma forma que esta equipe de governo, a pressão internacional, o medo que semearam os setores radicais, a intimidação dos inimigos do povo e todo o ódio plantado para impedir o exercício em plena liberdade do direito soberano de fazer respeitar nossas leis e concorrer com entusiasmo às urnas para escolher nosso próximo presidente".
Micheletti deixou temporariamente o governo no último dia 25 e só deve retomar a Presidência em 2 de dezembro, quando o Parlamento debaterá se se restitui em seu cargo o presidente deposto, Manuel Zelaya.
O presidente interino disse ainda que "é tarefa inadiável iniciar o caminho da unificação nacional em torno de projetos de futuro, para que todos caminhem juntos e sem erros em direção às metas que a realidade exige".
"Não só temos à frente a tarefa de recuperar o que foi perdido nestes meses de conflito, mas também devemos trabalhar juntos para que a pobreza, a falta de educação, a insegurança e todos esses problemas que nos roubam o sonho comecem a ser administrados imediatamente, sem desculpa nem demora alguma", acrescentou.
O presidente interino considerou que "esse trabalho só pode empreendê-lo o novo governante se tiver diante de si uma Honduras unificada, convencida de sua força e comprometida com seu futuro".
"Nas eleições deste domingo, cada voto emitido representa o valor que os hondurenhos damos a nossa liberdade de decidir e, além disso, é a validação do esforço que Honduras fez para corrigir seu rumo e continuar construindo a nação dentro do sistema democrático e republicano", acrescentou.
"Se inicialmente [após a derrocada de Zelaya], a jornada foi complexa e delicada porque a comunidade internacional nos deixou sós na tarefa de defender nosso país e suas leis, agora muitas coisas mudaram. Hoje somos um país com comprovada soberania", disse.
]
"Nestas eleições, Honduras confirmou ao mundo que é uma nação digna, livre, sem imposições e com muito orgulho de si mesma", acrescentou.
"O Congresso da República, a Corte Suprema de Justiça, o Tribunal Eleitoral, a Promotoria, a Procuradoria, a Polícia e o Exército devem se sentir satisfeitos com seu trabalho e compromisso com a liberdade deste país", apontou.