Embora a China tenha anuncido que cortaria até 2020 as emissões de carbono entre 40% e 45% por cada unidade do PIB – índice mais conhecido como intensidade energética – o gigante emergente sinalizou sexta-feira ao mundo que a fiscalização sobre o cumprimento desta meta não será muito fácil.
Yu Qingtai, o embaixador da China para a mudança climática, afirmou sexta-feira que apenas as reduções nas emissões executadas com apoio financeiro internacional estariam abertas à auditoria externa. E, segundo suas próprias palavras, estas reduções financiadas são “proporcionalmente” muito pequenas em relação às emissões totais de CO2do país.
Ele enfatizou que a meta chinesa é uma política voluntária e interna:
– Não se pode aplicar o mesmo tipo de fiscalização a medidas que tomamos por conta própria, com recursos próprios, para ações tomadas com o apoio internacional.
A professora do Instituto de Geoquímica da UFF, Cátia Fernandes Barbosa, já havia manifestado sua preocupação quanto ao cumprimento da meta anunciada pela China na edição do JB de sexta-feira. Segundo ela, por se tratar de um país com governo autoritário, a possibilidade de se acompanhar o processo de redução de emissão por parte da comunidade científica internacional será bem complicado.
De qualquer modo, o anúncio das intenções chinesas, feito na quinta-feira, traz um novo alento à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), que começa no dia 7 de dezembro. Afinal, juntamente com os EUA, a China é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa.
Na quarta-feira passada, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou sua presença em Copenhague e anunciou que a meta do país de reduzir as emissões em 17% até 2020, podendo chegar a 83% em 2050. O compromisso brasileiro é reduzir entre 36,1% e 39,8% as emissões nacionais de gases de efeito estufa até 2020.
Os governos se reúnem na Dinamarca para o que talvez seja o encontro mais importante desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O clima do nosso planeta está mudando. No século passado, a temperatura média global aumentou 0,7 graus. Cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) alertam que os impactos já estão sendo sentidos e outras mudanças poderiam ser “abruptas ou irreversíveis”. Eles afirmam que emissões globais de gases do efeito estufa precisam cair rapidamente para se evitar um aumento perigoso na temperatura.