Fontes que conviveram com os dias de construção da renúncia coletiva da diretoria do ASA, capitaneada pelo médico Celso Marcos, garantem que faltou um maior diálogo do comando do clube com o prefeito Luciano Barbosa.
O que mais os ex-dirigentes queriam era um encontro com a presença apenas do prefeito. Mas as tentativas foram infrutíferas e em uma das reuniões, políticos participaram como se fossem convidados para a discussão de um assunto que a eles não interessava. Pelo menos naquela ocasião.
A diretoria demissionária do ASA chegou a discutir valores com o prefeito e novamente faltou afinação. Porém sobrou chá de cadeira, garantem as fontes.
Luciano Barbosa teria revelado que só poderia aumentar a ajuda mensal que dá ao clube em março. A Prefeitura ainda é a fonte de renda mais forte do clube. Isso teria deixado o alvinegro em apuros para quitar compromissos relativos à sua participação na Série B.
Quando sentiu que o anúncio da renúncia era real, o prefeito deu entrevista e se disse aberto ao diálogo. Tentou intermediar, como falou, com o governador Teotonio Vilela para uma audiência em Maceió, mas a carregada agenda do executivo estadual terminou por não consolidar o encontro.
Outra queixa seria relacionada aos privilégios dados ao prefeito pelo clube. Era sempre ele, Luciano, a erguer os troféus das conquistas do ASA.
A princípio pensei que a diretoria demissionária estivesse blefando. Não foi assim. A decisão foi madura, abrindo brecha para que outra pessoa, talvez mais influente, tenha um maior diálogo com o chefe do executivo municipal.
E também com empresários que não estariam chegando junto no momento.
Na próxima semana, o Conselho Deliberativo do ASA volta a se reunir para definir o novo presidente, que vai concluir o mandato de Celso, até o final de 2010.
Acho que a diretoria do ASA deveria recorrer a outros caminhos, tornando o clube uma empresa. Ficar apenas esperando pelo Poder Público não é a única solução e vemos exemplos pelo Brasil a fora.
O radialista Josenildo Souza, pessoa ligadíssima ao prefeito, é o nome que está na boca do torcedor para assumir a presidência.
Por enquanto o barco está à deriva. Pode enfrentar mares bravios até encontrar o porto seguro.
E lembrar que tudo isso acontece naquele que foi o melhor ano do clube!
DOIS TOQUES
• Mais um forte abalo na já tumultuada vida do CSA. Funcionários cruzam os braços porque ninguém resiste a meses de salários atrasados. Enquanto isso o clube tentar “revirar” a mesa para se garantir no Alagoano de 2010. Uma tarefa que agora parece mais difícil, já que o caso está nas barras da Justiça Desportiva.
• Por ironia do destino, o técnico Paulo Roberto Gilhard, que agora comanda a equipe do CRB, foi dispensado do CSE no Alagoano deste ano, justamente após uma derrota do Tricolor, de quem era técnico na época, para o próprio Galo. Agora, prestigiado, Paulo Roberto vai a Porto Alegre com dirigentes do CRB participar da discussão de uma parceria com o Internacional.