Contratado no meio da temporada para dar segurança ao meio-de-campo do Figueirense, o volante Jeovânio não conseguiu repetir as grandes atuações de sua primeira passagem pelo clube, e acabou sem conseguir ajudar a equipe a retornar para a Série A. Com a frustração de ter que disputar a segunda divisão novamente em 2010, o jogador não poupou críticas ao alvinegro catarinense.
Treinador, jogadores, grupo, auxiliar-técnico, falta de comprometimento, imaturidade e falta de amizade do elenco. O meio-campista não poupou ninguém das críticas. Revoltado com a permanência do Figueira na Série B, Jeovânio admitiu uma dívida com a torcida do Orlando Scarpelli.
"A coisa que mais me arrepiou neste final de semana foi ver aquele bando de pessoas ali torcendo por nós. E a pior tristeza que já senti foi olhar todo mundo indo embora, algumas pessoas chorando, e principalmente pelos funcionários do Figueirense", disse o volante à RBS. "Meu sentimento é de revolta, de tristeza. Se eu pudesse voltar no tempo poderia fazer muita coisa diferente, e ia fazer", afirmou Jeovânio, que começou a \'\'lavar a roupa suja\'\' do clube.
Para o meio-campista, o grupo não era tão unido quanto o que participou em 2001, que conquistou o acesso à Série A do Brasileirão. "Em 2001 era um grupo diferente, um grupo em que todo mundo gostava de todo mundo. Não digo que este não gostava, mas faltou um pouquinho (de amizade) da nossa parte", revelou.
Para Jeovânio, também faltou comprometimento a alguns atletas do alvinegro catarinense, em especial alguns mais jovens. "Porque era assim (revelando o pensamento de alguns jogadores): o ano que vem tenho meu time, então pra mim tanto faz quanto tanto fez", disse. "Mas eu, o Schwenck, o Fernandes e o Régis já não pensávamos assim. Temos uma história no Figueirense, a gente queria gritar com alguém, só que alguém ia lá e passava a mão na cabeça", afirmou, mostrando uma falha de comando no time do Orlando Scarpelli.
Para o meio-campista, parte desta falta de pulso é culpa do técnico Márcio Araújo. "Ele foi tirando jogadores que não sabiam porquê saíam. Ele foi perdendo o controle e isso foi tirando a nossa motivação. O Schwenck jogou dez jogos e fez oito gols, porque saiu? Porque ele tirou o Edson, por ter chutado uma bola?", esbravejou. "Só teve essa situação que eu mesmo fiquei magoado por ele. Aí você vai conversar com o cara e ele (Márcio Araújo) diz que o cara está desmotivado", criticou Jeovânio.
No entanto, o volante negou que tivesse uma rusga com o treinador, mas admitiu um amu relacionamento com seu auxiliar-técnico, Luiz Henrique. "Meu problema foi com o auxiliar dele, não foi com ele. Eu tive porque sou pai de família, não vou ficar escutando umas coisas que ele falou para mim, vou rebater para qualquer pessoa. Do jeito que ele se dirigiu, eu não sou menino, não sou moleque. Fiz muita coisa pelo Figueirense e não vou deixar uma pessoa falar dessa forma comigo".
Apesar de toda a polêmica, Jeovânio quer seguir no alvinegro catarinense. Contratado junto ao Valenciennes, da França, o meio-campista gostaria de seguir no Scarpelli, e facilitaria qualquer negociação por parte da diretoria do Figueira. "Comigo é direto, fala comigo e a gente resolve em cinco minutos. Minha vontade é ficar, até porque estou devendo muito ao Figueirense por eu não ter feito nada, reconheço", concluiu.