O terrorista italiano Cesare Battisti encerrou na tarde desta segunda-feira a greve de fome iniciada há 10 dias em protesto o que chamou de "retaliação tardia e injusta do governo italiano". O senador José Nery (PSOL-PA) confirmou à Folha Online que Battisti escreveu em um comunicado que encerrou a greve de fome por livre e espontânea vontade.
"Recebi há pouco a confirmação de que Battisti encerrou a greve de fome declarando que confia nas autoridades brasileiras", afirmou o senador.
"Pelo presente instrumento particular, declaro para os devidos fins que na data de hoje dou por encerrada minha greve de fome declarando que o faço por livre e espontânea vontade", disse Battisti no comunicado, segundo Nery.
Nery disse que soube da decisão do terrorista pela direção do presídio da Papuda, em Brasília, onde Battisti está preso desde 2007. O senador faz parte do grupo de parlamentares que acompanha o caso Battisti.
Além de Nery, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também confirmou o fim do protesto de Battisti. "Ele atendeu ao pedido de muitas pessoas solidárias à sua luta, por isso decidiu encerrar a greve até porque a decisão do presidente Lula poderá demorar um pouco. Hoje ele já se alimentou, mas vai retornar a alimentação normal aos poucos como acontece com pessoas que entram em greve de fome", disse.
O italiano parou de alimentar-se no dia 13 para tentar chamar atenção dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que analisavam o pedido de extradição feito pela Itália. O STF autorizou a extradição, mas decidiu que a palavra final será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Hoje à tarde, Battisti recebeu a visita de seu advogado Luis Roberto Barroso. Na conversa, o italiano disse que ainda não tem data para decidir sobre o fim da greve de fome, mas já avaliava a possibilidade de suspender o protesto.
Barroso disse que Battisti está "abatido, perdeu peso, apresenta alguma fraqueza, mas ainda está lúcido". Segundo o advogado, o italiano afirmou que não está em greve de fome para sensibilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que dará a palavra final sobre a sua extradição.
"Ele me disse que a greve de fome não é dirigida ao presidente Lula, mas que foi a única forma de expressar seu protesto contra a Itália que 30 anos depois continua o perseguindo politicamente. Para ele, essa greve de fome é um protesto sofrido e silencioso por essa retaliação tardia e injusta do governo italiano" afirmou.
Com o apelo do presidente Lula para que ele volte a se alimentar, Battisti pretende discutir a ideia com grupos que em seu apoio também entraram em greve de fome. Antes, Battisti tinha dito que pretendia continuar em greve até a morte, caso o presidente Lula decida enviá-lo para a Itália.
"Battisti me disse que iria submeter essa ideia às pessoas solidárias ao seu caso que também estão em greve [de fome]. Ele me pareceu sensível ao presidente Lula, mas quer falar com essas pessoas que estão compartilhando a sua dor", disse.
Viagem
O médico José Souza Flávio, da equipe do presídio da Papuda, em Brasília, negou nesta segunda-feira a autorização para que o terrorista italiano Cesare Battisti viajasse para o Rio de Janeiro, onde acompanharia uma audiência na Justiça sobre o processo a que responde por falsidade ideológica.
Segundo o boletim médico divulgado hoje pelo presídio, o médico não aconselhou a viagem devido ao seu "estado geral frágil". "Não aconselhamos tal deslocamento para não agravar seu estado de saúde", diz Flávio no boletim.