Vizinha à BR-482, a comunidade de Bandeira, entre Catas Altas da Noruega e Piranga, em Minas, vive à beira de um "abismo". Assim os moradores chamam o buraco que começou a se formar há cerca de dez anos e, no último período chuvoso, devorou a pista da rodovia. A cratera tem 15 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de cinco andares, revela reportagem de Fábio Fabrini publicada na edição do GLOBO deste domingo.

Engoliu árvores, amedronta os moradores e, com as chuvas recentes, ameaça o desvio de terra usado pelos motoristas, aberto graças à retirada de um pedaço de barranco na lateral. A BR está entre as piores do país, segundo a Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgada este mês.

De acordo com a pesquisa, 41,8% do pavimento estão afundados, trincados, remendados ou esburacados, além de apresentar falhas de sinalização e traçado. Não há acostamento e, em 90% dos casos, as faixas estão desgastadas ou ilegíveis. O trajeto, que poderia ser feito em duas horas, leva em torno de três.

- Estamos contando com São Pedro. Se cair mais água, a passagem vai para o brejo - diz Luiz Carlos Henrique, de 42 anos, dono de um pesque-e-pague em frente ao "abismo".

A viagem de Itabirito, na Grande BH, a Viçosa, na Zona da Mata mineira, é comparada a um rali pelos condutores. Formado pelas BRs 040 e 356, fora a 482, o corredor de ligação entre as duas cidades tem 201 quilômetros.

Outro estado a enfrentar problemas em suas estradas o Piauí, como mostra reportagem de Efrém Ribeiro. As péssimas condições da PI-141 e da BR-324 fazem com que o trajeto entre os municípios de Eliseu Martins e São João do Piauí, de 80 quilômetros, seja feito em três horas.