Uma confusão envolvendo procuradores de Justiça, ocorrida na madrugada de ontem, sábado, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, foi parar na delegacia. Policiais Militares foram chamados às 3h30m para intervir numa briga, nas imediações da boate Dona Carolina, localizada no bairro Segundo Jardim, no Recife.

Os policiais teriam ido com os envolvidos até a delegacia do bairro, onde não há registro oficial do que houve, apenas as declarações dadas pelos PMs. O delegado de plantão, Evandro Barros, não quis dar entrevista, alegando que se trata de um caso envolvendo autoridades, nem permitiu que fossem feitas imagens das páginas onde constam os nomes anotados pelos PMs: Ermírio Fonseca de Avelar, José Lopes de Oliveira Filho, promotor, e Paulo Varejão, procurador-geral de Justiça.

A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral de Justiça informou que Paulo Varejão se envolveu na confusão apenas para apartar uma briga entre os colegas.

Nota divulgada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) diz que a confusão oocorreu entre o promotor José Lopes e um policial federal, e que o procurador Paulo Varejão interveio. Segundo o Ministério Público, o policial estava armado e visivelmente embriagado.

Segundo a nota do Ministério Público, o promotor José Lopes foi agredido e ameaçado de morte pelo policial federal e o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão, que se encontrava no mesmo local, numa festa, interveio e acionou a PM, que levou o caso à delegacia do bairro.

O Ministério Público não identifica o policial que teria praticado a agressão. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal (PF), há um delegado responsável por acompanhar o caso. A partir de segunda-feira, a Corregedoria da PF também irá investigar o ocorrido.

Confira a íntegra da nota do Ministério Público:

"O promotor de Justiça José Lopes foi agredido e ameaçado de morte na madrugada deste sábado, na boate Dona Carolina, em Boa Viagem, pelo policial federal, que se encontrava armado e visivelmente embriagado, e por um amigo deste, o empresário Ermírio Fonseca de Avelar. Na oportunidade, o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão, que se encontrava acompanhado da família numa festa de aniversário, tentou apaziguar o confronto e acionou a Polícia Militar. Com a chegada da guarnição, Varejão encaminhou todos à Delegacia de Boa Viagem e acompanhou José Lopes no seu depoimento.

Mesmo na delegacia, o policial federal voltou a ameaçar o promotor de morte. Em seguida, Varejão pediu que os policiais militares escoltassem José Lopes até sua residência, como forma de preservar sua vida e sua integridade física. Varejão diz que, diante das agressões e da ameaça sofrida pelo seu colega promotor, não poderia ficar alheio à situação".