Dois rapazes do interior de São Paulo descobriram esta semana que foram trocados na maternidade quando eram bebês, há 26 anos. A notícia foi um choque para as duas famílias, que moram em Catiguá, a 399 km da capital paulista, e Pindorama, a 378 km.
Daniel de Souza Santos é bem clarinho, quase loiro, de olhos azuis. Já os pais são morenos. Kléber Benedito da Silva é bem moreno, diferente dos pais, de pele e olhos claros. Os dois nasceram no mesmo dia, 1º de outubro de 1983, em um hospital de Catanduva, a 385 km de São Paulo.
A diferença entre as crianças e os pais sempre foi motivo de muitos comentários. Agora, com um teste de DNA, tudo foi esclarecido. “Disseram que o filho não era meu, porque ele era moreno. Senti humilhação”, contou José Olímpio da Silva, que criou Kléber.
“Falavam que eu tinha traído o meu marido”, disse Neuza dos Santos, que criou Daniel. Foi ela que se lembrou de uma pista importante que levou a identificação da troca. Ela diz que as enfermeiras trocaram as mantas, mas ninguém percebeu que os bebês tinham sido trocados.
Com a ajuda de amigos, ela e o marido chegaram à outra família. Os dois casais e os rapazes já se encontraram, mas não pretendem mudar de família. “Não vou querer mudar, nem eu nem o Daniel. A gente pode conviver, mas mudar não tem nem como”, contou Kléber, que é professor de Educação Física.
“Eu sou pai, sei como dói. Eu comentei com a minha esposa, se um dia acontecesse de minha filha ser trocada, eu não vou querer trocar não. Você pega um amor pela pessoa”, explicou Daniel, que é funcionário de uma usina.
Juntas, as duas famílias entraram juntas com uma ação de indenização por danos morais contra o hospital. A direção do hospital não quis comentar o caso.