O ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa, disse ter recebido com "grande satisfação" a decisão do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), favorável à extradição de Cesare Battisti, como requere o governo da Itália.

"É uma grande satisfação. Com o aplauso de todo o Parlamento demonstrou-se que o sistema da Itália respeita a democracia e os direitos civis", disse La Russa, referindo-se ao fato de os parlamentares, ao serem comunicados da votação do STF, terem aplaudido longamente.

La Russa declarou ainda que está satisfeito "pelo filho de [Pierluigi] Torregiani e por todas as outras vítimas assassinadas por Battisti".

Alberto Torregiani, filho do joalheiro que foi morto em uma ação atribuída a Battisti, quando ele integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, teve parte do corpo paralisado no mesmo ataque. Na época, no fim da década de 1970, ele tinha 12 anos.

O ministro considerou ainda que "outra decisão seria horrível". "Quando falamos de moralidade, esta está acima de todas as relações que se tem com um país, inclusive das econômicas. O mérito é do governo e do povo amigo do Brasil".

Sobre a possibilidade do STF elevar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final sobre o caso, La Russa disse "não ter dúvidas de que o governo de um país amigo só irá tomar nota da decisão. É uma mera formalidade".

Battisti é condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos entre 1978 e 1979. No Brasil desde 2004, ele foi detido em 2007 e em janeiro deste ano obteve do Governo o status de refugiado político.

O processo do italiano está em julgamento no STF, que realiza hoje sua terceira audiência sobre o caso. Com 5 votos a 4 pela extradição, o ministro Gilmar Mendes se pronuncia sobre a possibilidade de submeter ou não o parecer da casa ao Executivo.