O presidente Barack Obama admitiu pela primeira vez nesta quarta-feira (18) que os Estados Unidos não poderão fechar a prisão de Guantánamo no prazo estabelecido por seu governo, em janeiro de 2010.

"Tínhamos uma data limite específica que não será cumprida", afirmou Obama ao canal NBC, em uma das várias entrevistas que concedeu durante sua visita a Pequim.

Ao canal Fox News, Obama também confirmou o adiamento. "Estamos imersos em uma trajetória e um processo no que eu antecipo que Guantánamo será fechado no próximo ano", disse. "não vou marcar uma data exata porque muito depende da cooperação do Congresso", acrescentou.

Pouco depois de assumir o poder em janeiro, Obama prometeu que fecharia o centro de detenção na ilha de Cuba no prazo de um ano, mas agora admite que tal medida levará mais tempo.

Julgamento de acusados pelo 11/9 em Nova York
Em outra entrevista, desta vez para a CNN, Obama citou o julgamento dos acusados pelos atentados de 11 de Setembro em Nova York. "Os americanos não devem temer a possibilidade de que cinco homens acusados de planejar os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 sejam julgados em Nova York", afirmou.

"Eu acredito que esta noção de que de alguma maneira temos que ter medo, que estes terroristas possuem poderes especiais que evitam que apresentemos evidências contra eles, para prendê-los e submetê-los à justiça, tem sido um erro fundamental", declarou Obama ao canal CNN, segundo trechos de uma entrevista exibidos nesta quarta-feira.


O procurador-geral Eric Holder anunciou na semana passada que cinco homens acusados de conspirar para organizar os ataques, incluindo um dos supostos cérebros Khalid Sheikh Mohammed, poderiam ser transferidos de Guantánamo para Nova York, onde seriam julgados.

O tribunal responsável pelo caso fica perto do "marco zero", onde milhares de pessoas morreram quando dois aviões sequestrados foram jogados contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York.

Muitos familiares de vítimas e congressistas da oposição não aceitam esta possibilidade.

Popularidade cai abaixo de 50%
O nível de aprovação do presidente Barack Obama caiu pela primeira vez abaixo dos 50% desde que ele assumiu o cargo, segundo os resultados de uma pesquisa da Quinnipac University.

A sondagem mostra que 48% dos americanos ainda aprovam o desempenho do presidente, contra 42%.

No que diz respeito à guerra no Afeganistão, apenas 38% dos 2.518 consultados pela Quinnipac aprovam a forma com que Obama está conduzindo o conflito, apesar de mais da metade afirmar que é correto que os Estados Unidos mantenham suas tropas nesse país.