Mário Torós, diretor de Política Monetária do Banco Central, deixou o cargo nesta segunda-feira, alegando motivos pessoais. O substituto será Aldo Luiz Mendes, presidente da Companhia de Seguros Aliança do Brasil. Torós, que desde o ano passado demonstrava vontade de deixar o BC, tornou sua permanência insustentável na última sexta-feira. Em entrevista ao jornal "Valor Econômico" publicada aquele dia, Torós expôs os bastidores da atuação da equipe econômica durante a crise internacional.
Na reportagem, Torós descortina a atuação do BC durante a crise global e cita que o país sofreu um ataque especulativo em dezembro de 2008 e os bancos pequenos e médios enfrentaram uma corrida, com saques estimados em R$ 40 bilhões em apenas uma semana. E contou que presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, por pouco não foi demitido às vésperas de o país ser arrastado pela turbulência internacional.
Entre outros, abriu e-mails trocados com o presidente do BC, Henrique Meirelles, e colegas de diretoria, afirmou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tornou públicas informações estratégicas para segurar o câmbio no auge da crise, em outubro de 2008, e ainda revelou que a presidência do BB foi avisada de que o banco Votorantim passava por problemas - a instituição teve 49% vendidos ao BB meses depois.
Torós evitou a imprensa no Rio
No Rio de Janeiro, onde participava de um seminário nesta segunda-feira, Torós evitou a imprensa mas, em discurso, voltou a falar da atuação do BC durante a crise global.
A crise "foi o grande teste por que o BC passou e conseguimos atingir nossos objetivos", disse no evento em comemoração aos 30 anos do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).
Torós também avaliou que a turbulência global foi um problema menor para o Brasil do que para outras economias. Após uma série de medidas para melhorar a liquidez do mercado, incluindo operações com swaps cambiais feitas até junho deste ano, o diretor do BC acrescentou no seminário "não achamos necessário estar neste mercado de derivativo cambial".
Procurado, o BC informou por meio de sua assessoria de imprensa que não iria se manifestar sobre o assunto, mas por volta das 19h50, a assessoria de imprensa da autoridade monetária soltou comunicado à imprensa informando que Meirelles encaminhará a Lula a recomendação da indicação do nome de Aldo Luiz Mendes, 51, para ocupar o cargo. Aldo ex-vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil (BB) e já exerceu o cargo de vice-presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) e integrou os conselhos de administração da BM&F e da Central Interbancária de Pagamentos (CIP).