O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani apareceu ontem em três programas da televisão americana para criticar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de julgar cinco suspeitos dos atentados de 11 de setembro de 2001 na cidade.
Atualmente detidos na base naval americana de Guantánamo, em Cuba, os cinco suspeitos presumivelmente serão transferidos para território americano para seu julgamento em um tribunal federal civil a poucos quarteirões de onde ficavam as torres do World Trade Center.
Prefeito de Nova York na época dos atentados, Giuliani sustentou que a mudança dos casos para tribunais civis "dá aos terroristas uma vantagem desnecessária".
"Em primeiro lugar, não sei (por que) seria preciso dar vantagens aos terroristas e, em segundo lugar, é um risco desnecessário", disse Giuliani no programa "State of the Union", da emissora de televisão "CNN".
O ex-prefeito disse que a opção feita pelo Governo Obama de conduzir o caso em um tribunal civil, em vez de tribunais militares, implicará em prolongadas demoras.
"Nosso sistema federal tem um processo enormemente complicado e isto durará para sempre", declarou no programa "This Week", da rede de televisão "ABC".
"Dá (aos acusados) mais benefícios do que os que um tribunal militar lhes daria. E sempre existe a possibilidade de uma absolvição, ou uma mudança de sede", afirmou Giuliani.
Já ao falar para o programa "Fox News Sunday", Giuliani disse que, para o Governo Obama, "a guerra contra o terrorismo, de seu ponto de vista, terminou. Não trataremos estes indivíduos como se tivessem cometido atos de guerra".
O principal conselheiro da Casa Branca, David Axelrod, respondeu na "CNN" que a crítica de Giuliani é "rara" levando em conta que o ex-prefeito elogiou o processo de Zacarias Moussaoui, o único indivíduo julgado e condenado pelos ataques de 11 de setembro.
Um tribunal federal civil na Virgínia condenou Moussaoui à prisão perpétua em um julgamento conduzido a poucos quilômetros de onde outro avião, comandado por terroristas, caiu no Pentágono e matou centenas de pessoas em 11 de setembro de 2001.
"Giuliani foi testemunha e fez declarações nesse caso, e elogiou muito o resultado. É possível que ele tenha mudado sua opinião, mas nós não mudamos a nossa", disse Axelrod.