O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi na noite da sexta-feira ao campus da Uniban, em São Bernando do Campo, no ABC, tentar pacificar o mal estar entre os alunos, causados pelos atos hostis à aluna Geisy Arruda, de 20 anos, que foi xingada e teve de sair escoltada pela PM por estar de minissaia. A Uniban publicou em jornais a decisão de expulsar Geisy e chegou a dizer que ela afrontou a moral da universidade. O MEC chegou a pedir explicações sobre a decisão. A universidade voltou atrás, desistiu da expulsão e não puniu também alunos que hostilizaram a jovem.
Suplicy foi dar palestra sobre Cidadania aos estudantes para costurar o retorno de Geisy às aulas na semana que vem. Por quatro vezes, o senador tentou arrancar dos mais de 400 funcionários, alunos e professores que foram ao evento um compromisso de que poderia voltar à Uniban com Geisy na semana que vem para fazer pazes e encerrar o tema. Não teve sucesso.
Após fazer a proposta pela terceira vez, o petista foi interrompido pelo assessor de imprensa da Uniban, que proibiu a votação do auditório. Suplicy retomou a palavra e atacou com a proposta pela quarta vez, desta vez quase gritando. A resposta foi o silêncio. Algumas alunas, de forma irônica, entoaram um coro "Volta Geisy", entre risos.
- É muito pedir para eles que caiam de joelhos e peçam perdão a ela. Vamos aguardar. Os alunos estão feridos e precisam de tempo para cicatrizar - disse o vice-reitor da Uniban, Ellis Brown.
Apenas uma aluna disse que a comunidade universitária devia desculpas a Geisy. Os outros reclamaram que o tratamento da imprensa deu ao caso desqualificou a Uniban.
Geisy afirmou em entrevista ao Globo, em vídeo, que não tem mais privacidade depois do episódio e esperava encontrar um ambiente democrático e de respeito mútuo na universidade. Os advogados dela querem acesso à lista dos alunos, professores e funcionários ouvidos pela Uniban na sindicância que havia resultado na expulsão.
- Eu não consigo entender porque fui expulsa e porque fui aceita novamente - diz ela.