Após fase turbulenta, ídolo do clube assume comando e leva equipe a conquista que não acontecia há 17 anos. O que soa como roteiro perfeito, quase um conto de fadas, pode acontecer com o Flamengo em 2009. Desde 1992 sem levantar a taça do Campeonato Brasileiro, o Rubro-negro finalmente chega à reta final da competição forte na briga pelo título, tendo o ex-jogador Andrade como treinador.

Contudo, o protagonista dessa história faz questão de desconversar e dizer que o foco continua sendo terminar entre os quatro primeiros e se classificar para a Libertadores do ano que vem. Estratégia? Sim, ao que parece. Em entrevista ao site Justicadesportiva.com.br, o técnico do time da Gávea deixa escapar um desejo: levar a disputa da competição até a última rodada, para, então, ultrapassar os demais concorrentes e chegar ao título.

Intimado a depor no inquérito da “mala branca” do jogo contra o Barueri, Andrade diz ainda que é preciso que todos fiquem atentos quanto a isso nas partidas finais, ressaltando que o confronto com o Náutico é do interesse de muitas pessoas.

JD – Você foi intimado a depor no inquérito da “mala branca” e disse que muitos falam que essa é uma prática comum no futebol. Nesse sentido, o Flamengo há de se preocupar com o jogo do próximo domingo, contra o Náutico?

Andrade – Esse é um jogo que merece uma certa atenção de todas as partes. O Náutico está jogando a sua vida para fugir do rebaixamento e o Flamengo tenta vencer para seguir no G-4. É um jogo de vida ou morte para os dois e tem muita gente interessada no resultado.

JD – Alguns comentaristas falam que o Flamengo tem caído de rendimento no segundo tempo das partidas, muito em parte da condição física. Você concorda com isso?

Andrade - Não vejo isso, não. Acho que o Flamengo tem jogado de uma forma inteligente, saindo na frente e atraindo o adversário pare dentro do seu campo, contra-atacando em velocidade. E está surtindo efeito. Basta ver o jogo contra o Atlético (mineiro). Fizemos um a zero, demos uma recuada de uma forma estratégica, contra-atacamos com qualidade e vencemos. Comentam muito que o Atlético teve mais posse de bola, mas, às vezes, se tem a posse de bola e não se sabe o que fazer com ela. Já o Flamengo tem ficado menos com a bola e, quando a tem, sai rápido e de uma maneira objetiva, às vezes mortal, no contra-ataque.

JD – Qual o segredo para o sucesso do Flamengo neste segundo turno?

Andrade – O segredo é trabalhar como estamos trabalhando, forte, que o resultado aparece. O grupo, hoje, é um grupo fechado, unido, e isso já é um grande passo para conquistar o nosso objetivo. Agora, é continuar, como falei, com muito trabalho, que é o que traz os resultados. O grupo está fechado, está unido e ciente do que representa o G-4 ou mesmo o título para o Flamengo.

JD – Você falou em título agora mas tem insistido que o objetivo do Flamengo é se manter no G-4, evitando falar em conquista da taça. Por quê?

Andrade – Às vezes você pensa em titulo mas não pode esquecer de que com uma derrota já esta fora até do G-4. Estamos num momento em que qualquer pontinho pode ser um fator diferencial. Então, vamos falar de G-4, nos manter nesse grupo. Os três pontos contra o Náutico, se conseguirmos, vão nos dar uma outra colocação dentro do campeonato. Temos quatro jogos, quem sabe isso não vai se decidir na última partida? Acho que até prefiro assim, a gente leva para o último jogo e, depois, não dá para ninguém correr atrás. Então, estamos trabalhando em cima disso já há alguns meses, de degrau em degrau, jogo a jogo. Não gosto de fazer projeção de três, quatro jogos, porque, se perder o primeiro, a projeção já vai para o espaço. Vamos trabalhar da forma que a gente vem fazendo, jogo a jogo, pensando no Náutico, focando no Náutico. É um jogo difícil, contra um clube que luta para não ser rebaixado, mas o Flamengo vem aí num bom momento, o que mostrou contra o Santos e o Atlético, e creio que, se estivermos focados, mesmo com toda a dificuldade, vamos passar pelo Náutico.

JD – Como você viu essa suspensão do árbitro Carlos Eugênio Simon após muitas reclamações do Palmeiras? Acha que há uma pressão das equipes que disputam o título sobre a arbitragem?

Andrade - A pressão sempre existe nessa reta final, em cima de jogadores, de nós, treinadores, que também trabalhamos sob pressão, e as pessoas têm que saber administrar isso. Acho que essa pressão, na reta final, é normal que venha a acontecer. Mas o Simon teve um erro porque é um ser humano e foi infeliz naquele gol do Obina, mas isso acontece com qualquer ser humano, com qualquer profissional. Eu, que estou na beira do campo, também posso errar.