A operação de captura de milicianos da chamada Liga da Justiça terminou na tarde desta terça-feira (10) com um balanço de 19 presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Mais de 350 homens, entre eles 88 delegados, foram às ruas de Campo Grande, zona oeste, para cumprir cerca de 80 mandados expedidos pela Justiça, entre pedidos de prisão e de busca e apreensão.
Entre os detidos, estão dois policiais militares da ativa. Um deles já foi identificado: é Ivo Matos da Costa Junior, conhecido por Tomate, tido como o matador do grupo. "São, infelizmente, homens que deveriam servir ao povo, mas que estavam envolvidos e dando cobertura para ação dos bandidos", explica Ronaldo de Oliveira, diretor geral de polícia da capital. Segundo ele, os criminosos eram conhecidos como uma importante força paralela na cidade e tinham o perfil típico das milícias. O bando era formado por ex-policiais e ex-bombeiros que, em nome da expulsão dos traficantes, costumavam oferecer para comunidades carentes segurança em troca de pequenos pagamentos periódicos.
As investigações apontam que eles cobravam taxas de segurança a moradores e comerciantes, exploravam a venda de botijões de gás e de sinal clandestino de TV a cabo. Eles também são acusados de controlar a produção ilegal de CDs e DVDs piratas comercializados na Baixada Fluminense, além de comandar o fluxo de transporte alternativo na região, entre Kombi, vans e mototáxis.
Fardas
Os homens envolvidos na força-tarefa encontraram nas buscas duas pistolas 9 milímetros, um revólver 38, munições, um colete oficial da Polícia Militar (PM) e diversas fardas oficiais do Corpo de Bombeiros, Exército e da própria polícia.
Também foram apreendidos 15 celulares, quatro computadores com informações da quadrilha, documentos, R$ 500 e um carro blindado, que seria usado por um dos integrantes do bando para circular pela região.
Segundo a Polícia Civil, participam do cerco 38 delegacias da capital, 18 da Baixada e 30 equipes de departamentos especializados. "Os criminosos estão enfraquecidos. Estamos desativando a espinha dorsal do grupo e atacando a fonte financeira. Os documentos que estão conosco vão ser analisados, mas provavelmente mostram como funciona o sistema de lavagem das verbas arrecadadas ilegalmente", disse o delegado geral da capital. "Não basta prender. Temos que recolher provas para que eles fiquem na prisão e não sejam soltos pela Justiça", complementa.
Histórico
A ação é considerada uma conclusão da operação iniciada em maio deste ano que capturou o procurado ex-policial Ricardo Teixeira Cruz, o Batman. Ele seria um dos líderes do grupo e teria poder sobre grande parte das comunidades da zona oeste, dominada pela Liga da Justiça, que seria chefiada pelo ex-deputado estadual Natalino Guimarães e seu irmão, o ex-vereador Jerominho, ambos presos. Em outubro do ano passado, Batman escapou pela porta da frente da penitenciária Bangu 8.
As buscas no Rio de Janeiro continuam. A preocupação das autoridades, no entanto, é não deixar um vazio de poder na zona oeste, onde o grupo tinha sua principal força, a fim de evitar que outros grupos milicianos ou até mesmo o tráfico de drogas assumam a região. "Nossas operações têm apoio das prefeituras. Ou seja, quando liberamos uma linha de transporte da mão dos criminosos, a administração municipal assume novamente o serviço. O mesmo acontece com a distribuição de gás", argumenta o delegado geral. "Mas, se houve invasão de traficantes, pode ter certeza que vamos expulsar", disse ele.