O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a aliança do Brasil com as outras três grandes potências emergentes no grupo dos Bric, segundo uma entrevista publicada nesta segunda-feira (9) pelo jornal britânico Financial Times. Ao ser questionado a respeito dos interesses diversos e, inclusive, muitas vezes contraditórios desse quarteto formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China, o presidente brasileiro afirmou:

- É como quando se tem uma nova namorada. Se a pessoa olha apenas para seus defeitos, não chega a lugar nenhum, mas se olha para o lado bom, acaba se casando.

Lula explicou que a aliança se inspira no modelo da União Europeia (UE), onde também existiam, inicialmente, grandes divergências entre os membros fundadores.

- Em nossa primeira reunião (uma cúpula realizada em junho passado, na Rússia), sugeri que começássemos a fazer transações em nossas próprias moedas. Não precisamos do dólar. É apenas um tema cultural porque estamos acostumados com o dólar, mas isso pode mudar.

O jornal afirma que, quando o grupo foi fundado em 2001, as quatro potências emergentes representavam apenas 6% da economia mundial, mas que agora dados do FMI mostram que já têm um peso de quase um quarto e que superaram conjuntamente os Estados Unidos.

Nesse tempo, a China se converteu no primeiro sócio comercial do Brasil, o que também ajudou a escapar da crise ao não depender dos Estados Unidos e da Europa como outros países.

Questionado sobre o comentário que rendeu muitas reportagens há alguns meses sobre o fato de a crise econômica mundial ser culpa "das pessoas louras de olhos azuis", Lula explicou que essa foi uma resposta a quem culpava os imigrantes.

- As pessoas pobres na África e em todo o mundo vão ter que pagar pela crise quando não foram elas que a causaram. Os países ricos dizem que não podem se permitir financiar ajudas à pobreza nos países pobres. Mas, para salvar seus bancos, encontraram trilhões. Se tivessem dado um pouco disso em ajuda aos países pobres, o mundo seria um lugar melhor.