As fortes chuvas que atingem o Espírito Santo deixaram cerca de 5 mil desabrigados e desalojados no estado. Em apenas dois dias, na última semana, choveu o equivalente ao que era esperado para todo o período entre os meses de outubro e novembro. A média de 126 milímetros, calculada para cada um desses meses, foi superada na quarta-feira, e no sábado, quando o registro chegou a 180 mm. Na madrugada de domingo, pai e duas filhas morreram soterrados num deslizamento em Cariacica . A mãe das crianças e a filha mais velha do casal, de 7 anos, estavam outro cômodo e sobreviveram.

Em Vila Velha, parte da via de acesso ao Convento da Penha desceu encosta abaixo, com pedras e árvores, deixando os moradores preocupados. Na Ponta Formosa, em Camburi, uma barreira deslizou, formando uma faixa marrom onde antes só havia o verde da mata. A encosta começou a ceder logo abaixo do deque da casa de shows Ilha Acústico. A armação de madeira não caiu, mas a estrutura pode ter sido comprometida. Na hora do deslizamento não havia ninguém no estabelecimento.

- Por sorte não tínhamos nenhum evento marcado. Minha preocupação é que na sexta-feira teremos o show da Elba Ramalho, tomara que até lá a chuva tenha parado e a Defesa Civil tenha avaliado as condições do deque. Vale frisar que a queda da encosta não prejudicou em nada a estrutura da casa em si. O único problema, se é que houve, foi no deque - disse o proprietário do estabelecimento Kaedy Azevedo.

Os moradores de Santa Leopoldina, na região Centro-Serrana, começaram a buscar o que sobrou de suas casas que foram invadidas e, em alguns casos, cobertas pela água. Mais de 700 pessoas tiveram que sair de casa. Duzentas estão num abrigo no município, e outras dependem de parentes ou amigos. Na localidade de Barra de Mangaraí, as casas foram completamente inundadas. O gari Ismael Booni, 47 anos, e a mulher tiveram que sair às pressas e conseguiram se abrigar apenas com a roupa do corpo.

- Perdi meus móveis, comida, roupas, documentos. A minha geladeira nova, que terminei de pagar no mês passado depois de tanto sacrifício, meu Deus, está destruída - lamentou.

O Corpo de Bombeiros montou uma base na região para ajudar nos resgates das pessoas que estavam isoladas e em situação de risco.

A Ponte Clarindo Lima teve as muretas de proteção carregadas pela água do Rio Santa Maria, que passou por cima da ponte. Um muro da escola estadual Alice Holzmeister caiu, e as salas ficaram inundadas, assim como as creches, o posto de saúde e a prefeitura. Nas casas mais próximas ao curso dágua, a inundação chegou ao segundo andar de algumas casas. Moradores conseguiram sair no sábado à noite com água na altura do peito, e chegaram a ter água no pescoço, por conta da velocidade com que o nível do rio subiu.