Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quinta-feira (29) que o Brasil gostaria que os Estados Unidos desempenhassem um "papel mais ativo" na crise de Honduras, alertando que, se uma solução política não for alcançada, "a violência na América Central voltará".

Em entrevista publicada nesta quinta-feira no jornal venezuelano El Nacional, Garcia considerou "positiva" a presença do subsecretário do Departamento de Estado americano Thomas Shannon em Tegucigalpa, dizendo esperar que o diplomata seja "porta-voz de uma mensagem forte".

- Isso pode criar as condições para uma solução que passa pela volta ao poder do presidente Manuel Zelaya. Se isto não acontecer, as eleições seriam ilegítimas, e o Brasil não reconhecerá os resultados.

Ele afirmou ainda:

- Acreditamos que o interlocutor para resolver isto é a OEA (Organização dos Estados Americanos), e seria positivo que lá os Estados Unidos tivessem um papel mais ativo. Nossa preocupação é que, se não houver uma solução política, a violência na América Central voltará.

Sobre os questionamentos feitos ao governo em relação à permanência de Zelaya na embaixada brasileira, onde se abriga desde 21 de setembro, o assessor de Lula indicou que prefere "essa crítica ao que poderia ter acontecido se tivéssemos fechado as portas para Zelaya".

- Ele é o presidente constitucional. Não tivemos participação em sua volta a Honduras.

Marco Aurálio García está em Caracas e participa da visita do presidente Lula à Venezuela nesta quinta-feira.

Zelaya foi deposto em um golpe de Estado em 28 de junho. Expulso do país, retornou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada brasileira.