Em reunião da Mesa Diretora do Senado nesta quinta-feira (29), os senadores decidiram demitir o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, suspeito de abrir empresas fantasmas, em nome de seus filhos e de uma ex-babá, para intermediar empréstimos consignados de instituições bancárias com servidores do Senado.

O advogado de Zoghbi, Getúlio Barbosa de Sá, disse que vai recorrer à Justiça contra o ato da demissão.

- Caberia um recurso interno ao presidente do Senado [José Sarney (PMDB-AP)]. Mas, ele adiantou a leitura que tem sobre o assunto. Seria uma medida inócua.

Segundo o advogado, alguns ponto levantados pela defesa não foram analisados pela comissão.

O anúncio da demissão de Zoghbi foi feito pelo primeiro-secratário da Mesa, senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele disse que Sarney tem "plenos poderes" para tomar essa decisão sozinho, mas que a Mesa decidiu também votar e decidir pela demissão. Heráclito disse não conhecer precedentes de demissão de servidor do Senado.

Na semana passada, a comissão de servidores que investigou o caso já havia recomendado a demissão do ex-diretor.

Zoghbi responde a outros dois processos administrativos no Senado. O primeiro por ter deixado seu filho morar em um apartamento funcional que é de uso de senadores. Em outro processo, Zoghbi e o ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia são responsabilizados pela edição de atos secretos que foram usados, nos últimos 14 anos, para nomear aliados e criar novos cargos sem conhecimento público. Zoghbi ocupava atualmente o cargo de origem de analista legislativo.