A Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou hoje, após um acalorado debate, a entrada da Venezuela no Mercosul.
Agora, o protocolo de adesão será enviado ao plenário da câmara alta para uma última votação, que pode acontecer na próxima semana.
O ingresso da Venezuela no bloco, que já foi ratificado pelos Parlamentos da Argentina e do Uruguai, foi aprovado por 11 dos 19 membros da comissão, a maioria deles da base governista.
O relator da comissão, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), havia desaconselhado o ingresso da Venezuela em um relatório no qual, com duros termos, criticou o suposto "autoritarismo" do presidente Hugo Chávez.
A votação de hoje, a penúltima dentro do Senado, aconteceu enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajava para Caracas para um de seus encontros trimestrais com Chávez.
Durante o debate, a oposição reafirmou sua rejeição à entrada da Venezuela no Mercosul, apoiada na suposta "falta de liberdade" no país e nas "violações à cláusula democrática" que impera no bloco.
Por sua vez, o grupo governista, além de lembrar que instituições como o Centro Carter apoiaram a "transparência" de "todas" as eleições vencidas por Chávez, admitiu que a Venezuela enfrenta "problemas políticos". Porém, alegou que é impossível negar a "legitimidade" do Governo.
Antes de votar, a maioria dos senadores também rejeitou o pedido da oposição para que um grupo de parlamentares visitasse a Venezuela para constatar se o país se ajusta às normas democráticas do bloco.
O senador Romero Jucá (PMDB-RR), chefe da bancada governista no Senado, já se dispôs a pedir que o Senado vote a questão na próxima semana.
No plenário, políticos influentes, como o próprio presidente da casa, José Sarney (PMDB-AP), se disseram contra a entrada da Venezuela no Mercosul, dado o suposto "caráter autoritário" de Chávez.
No entanto, hoje, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que recomendará à sua bancada que "aprove" a entrada da Venezuela no Mercosul.
Segundo Calheiros, "esta discussão não pode se misturar com simpatias ideológicas", pois se trata de um assunto econômico e comercial que deve ser tratado com "pragmatismo".