O Partido dos Trabalhadores é uma agremiação partidária que se orgulha do fato de ter divergências que são transformadas em convergências no curso de discussões internas dentro do partido, além de ser a legenda mais votada espontaneamente em todo o país e ter o presidente da república, com sete anos no cargo e com índices de popularidade nas alturas.
Todo este cenário favorável para o crescimento de um partido como o PT em Alagoas está sendo “jogado fora” em face das intermináveis disputas internas e na falta de entendimento entre os principais dirigentes da legenda em Alagoas, que fazem com que o partido se encaminhe para uma derrota histórica em 2010.
A saída de Ricardo Valença da secretaria municipal de educação em uma decisão que pegou completamente de surpresa o prefeito Cícero Almeida é apenas mais um capítulo de como as confusões internas estão jogando por terra as chances do PT almejar vôos maiores em Alagoas.
A confusão e falta de organização do partido fica evidente quando se dá uma olhada no site nacional do partido e se percebe que o diretório de Alagoas é o único que sequer tem um site na relação.
Ao se analisar a situação na distribuição de cargos de diretorias de ministérios e autarquias federais no Estado se tem a inteira noção de que os integrantes do PT em Alagoas não gozam de nenhum prestígio junto ao presidente e até mesmo aos dirigentes maiores do partido em Alagoas. As “jóias” da coroa como Ceal, CBTU e Funasa passam longe do domínio dos petistas locais sendo divididos entre os senadores Renan Calheiros e os deputados Givaldo Carimbão e Benedito de Lira entre outros.
Na última eleição o presidente Lula sequer veio até Alagoas na campanha em face das disputas internas do partido e no próximo pleito o palanque que está sendo montado em Alagoas deixa o PT local em terceiro ou quarto plano, quando os representantes do partido sequer participam das reuniões que estão definindo suas chapas.
O pior de tudo isto é que as três maiores “estrelas” do partido que não tem nenhum vereador no Estado e passa longe de ter um nome capaz de lutar por um cargo de governador, não contam com o apoio necessário dentro do próprio partido.
O deputado estadual Judson Cabral, talvez o único integrante de toda a Assembléia que passou toda esta legislatura sem ser atingido por um escândalo além de ter destacada atuação em diversos setores é fritado, e até mesmo boicotado junto a integrantes do partido que não o querem ver na direção regional do partido.
O deputado Paulão, se envolveu mesmo que de maneira diferente com o escândalo das Taturanas, perdeu a indicação da presidência da Ceal e foi derrotado internamente na escolha do secretário municipal de saúde, quando seu nome preferido Elcio Verçosa foi preterido em nome de Ricardo Valença.
Por fim o delegado Pinto de Luna que poderia representar um sopro de novidade na estrutura do partido vem sendo tratado com desdém por alguns dirigentes e pode mesmo nem sair candidato caso o partido firme sua posição de apoiar o chapão que teria Renan Calheiros e Benedito de Lira.
De acordo com o que apurou o Cadaminuto a perspectiva para que esta situação melhore é nenhuma, já que a saída de Ricardo Valença abre uma nova crise dentro da crise e o próximo encontro regional do partido promete ser de alta combustão já que o ex-secretário municipal de saúde pretende falar tudo que passou a frente do órgão e aí a situação complica.
