O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), relacionou a ocorrência do câncer de mama em homens à opção sexual. Para o governador, o câncer na mama dos homens "deve ser consequência dessas passeatas gay". A declaração foi feita durante o programa "Escola de Governo", veiculado pela TV Educativa na manhã de ontem (27).
- A ação do governo não é só em defesa do interesse público, é em defesa da saúde da mulher também. Embora hoje câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser consequência dessas passeatas gays - disse Requião antes de convidar o secretário de Saúde, Gilberto Martin, para anunciar investimentos do estado no controle da doença.
No programa "Escola de Governo", onde Requião não poupa críticas transmitidas ao vivo na TV Educativa do estado a seus próprios secretários, Martin subiu ao palco embaraçado e tentou consertar a declaração discriminatória de Requião já na abertura de sua fala.
- Em menor incidência, em menor número de casos, o câncer de mama também atinge o homem. O homem também tem que tomar cuidados em relação ao câncer de mama. Então, bem lembrado pelo governador essa preocupação - tentou consertar Martin.
Reação de médicos e grupos de diversidade
A reação de médicos e de grupos de diversidade foi imediata. Para os oncologistas, não é o fato de ser gay o motivo para o surgimento do câncer de mama em homens, mas sim o uso indiscriminado de hormônio feminino com finalidade do aumento da região mamária.
O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis, condenou a declaração de Requião e o acusou de desinformado.
- O que o governador ainda não sabe, mas não me causa nenhum estranhamento dado comentário feito por ele, é que passeatas (sejam elas quais forem) curam doenças, elevam os espíritos, porque promovem igualdades, promovem fraternidade e menos discriminação - disse Toni Reis.
O dirigente da ABGLT aponta que afirmações como essa podem trazer várias consequências e prejudicar as campanhas de prevenção:
- Fazer tal afirmação pode produzir, como efeito de sentido, que passeatas gays não apenas transformam homens em mulheres no imaginário do governador e também no que diz respeito ao senso comum, mas que o câncer de mama é uma doença exclusivamente feminina (desinformando ou reforçando um estereótipo). Além disso, que passeatas gays produzem doenças sérias, como, por exemplo, o câncer de mama. Ou ainda que participar desse tipo de manifestação (as passeatas gays) é uma doença - criticou.