Nelson Rosa é agricultor na cidade de Arapiraca. Menino, acompanhava as festas de coco e quadrilha da sua comunidade, a Vila Fernandes. Há 30 anos, ele resolveu tomar o prumo dessa história e passou a comandar diferentes grupos de cultura popular. Até as destaladeiras de fumo, ele mobilizou e conseguiu que as mulheres gravassem um CD. Ele é um agente cultural — um mestre do povo.

Seu Nelson, como é mais conhecido, foi um dos participantes da Conferência Municipal de Cultura em Arapiraca. O encontro aconteceu neste domingo (25), na Escola Estadual Izaura Antonia de Lisboa, no bairro Baixão. Reuniu artistas e gestores públicos.

O secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, compareceu ao evento e parabenizou o município. “O Estado de Alagoas realiza dez conferências municipais e intermunicipais. Aqui, foi o único lugar a fazer as pré-conferências. Foram cinco. Houve debate e participação popular acerca das políticas públicas a serem apresentadas hoje”, afirmou.

A conferência foi organizada pela prefeitura, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). União, estados e municípios de todo o país estão mobilizados para a realização da Conferência Nacional, em março de 2010, em Brasília. Depois de quatro anos da primeira.

Alagoas promove o seu encontro estadual nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, no Centro de Convenções, em Jaraguá, na capital. Ainda esta semana, acontecem conferências intermunicipais em Penedo, Ibateguara e Novo Lino.

Mas voltemos à Arapiraca. Além da apresentação de violeiros, grupo de coco de roda e capoeiristas, houve a palestra do historiador Sávio de Almeida. O escritor lançou para a plateia, as questões: “O que é tradição? Como definir que uma manifestação é ou não de raiz, que faz parte da cultura popular?”. As respostas estão na origem e também na importância que têm para o povo. É a comunidade que se reconhece ou não em determinada brincadeira ou costume.

Depois da conversa foram formados grupos para a discussão dos cinco eixos propostos pelo Ministério da Cultura (MinC). São estes: Cultura e Diversidade, Cidadania, Desenvolvimento Sustentável, Economia Criativa e Gestão Pública da Cultura.

A partir da participação nas conferências, é definida a quantidade de delegados que representarão as comunidades no encontro estadual e nacional. Na sexta (23) e sábado (24), Maceió conquistou o direito de ter seis delegados na estadual. Arapiraca, provavelmente, vai ultrapassar esse número.

Albério Carvalho, que faz parte da ONG Candeeiro Aceso e é também um dos titulares do Conselho Estadual de Cultura, considera a conferência um momento importante. “É o primeiro passo para a construção de uma política pública. É a população que sabe das suas necessidades e é justo que ela tenha espaço para apontar os rumos para a cultura no âmbito do município, Estado e país”, avalia.

O próximo debate acontece nesta terça-feira (27), em Penedo. Mais informações: (82) 8833-4078.