Com a pressão da executiva nacional do PV de lançar candidatura própria em alguns estados, os verdes baianos protagonizam mais um round da já conhecida briga interna de legenda, o que pode levar a complicações no cenário da sucessão baiana.

De um lado, o presidente estadual do PV, Ivanilson Gomes – do grupo do deputado federal Edson Duarte –, diz claramente que é favorável à candidatura própria e que até apoiaria o nome do deputado federal Luiz Bassuma (que saiu do PT por discordar da legalização do aborto ) se fosse o caso. Do outro, o secretário Juliano Matos (Meio Ambiente e Recursos Hídricos) – candidato a deputado federal –, que segue a linha do ministro Juca Ferreira (Cultura), considera a hipótese de dois palanques para os verdes na Bahia: apoia-se a reeleição de Wagner e também a candidatura de Marina Silva.

“A executiva nacional não vai poder improvisar na Bahia. Certamente fará a melhor opção para o palanque de Marina aqui, que é o governador Jaques Wagner”, diz o secretário Juliano Matos. Ele lembrou ainda que, caso o PV baiano chegasse a ter candidatura própria, há “uma fila imensa” de nomes fortes no partido, como Juca Ferreira e Bete Wagner, por exemplo, referindo-se aos boatos de que o recém-verde Bassuma pudesse ser um nome para a disputa. “Em tese, dá para subir em dois palanques, mas isso confundirá o eleitor. Na Bahia, há tendência para candidatura própria”, diz Ivanilson.

Por sua vez, Bassuma (que trabalha nos bastidores, embora não admita) diz que não há nada certo, mas se coloca disponível. “Meu nome não está decidido, não houve reunião formal. Mas acho que o PV deve ter candidatura própria, o que não significa ser anti-Wagner”, disse Bassuma. Para ele, uma possível saída dos verdes da aliança petista para a disputa representaria a mesma coisa da saída de Marina: o PT trata o candidato do PV “como cristal”, já que é apoio para segundo turno, em ambos os casos.

No próximo dia 31, dirigentes das executivas estaduais dos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo se reúnem em Belo Horizonte para tratar de candidaturas próprias com representantes da executiva nacional. Daí sairá orientação a ser repassada aos estados.