Os jogadores e membros da comissão técnica do Flamengo até têm o discurso ensaiado, mas como esvaziar o entusiasmo quando se pode diminuir a diferença para o líder para três pontos depois de estar 13 atrás? Apesar de dizerem que só pensarão em título após entrar no G-4 (o que pode acontecer amanhã, caso vença o Botafogo e qualquer um dos rivais acima na tabela tropece), os jogadores rubro-negros deixam escapar nas entrelinhas que já sonham com o hexa.
O técnico Andrade, por exemplo, é o mais comedido de todos na Gávea. É ele o primeiro a alertar os jogadores rubro-negros sobre o perigo da empolgação da torcida. Mesmo assim, deixou escapar que preferiu ver o jogo do Palmeiras contra o Santo André a assistir ao jogo do Botafogo contra o Cerro Porteño, pela Copa Sul-Americana, ambos na quarta-feira.
Segundo o treinador, uma das razões para ver o jogo do Palmeiras era o que os torcedores mais fazem ao fim de um campeonato tão disputado: torcer para que o rival que está acima na tabela perca. Além disso, o time misto escalado por Estevam Soares não serviria para Andrade tirar conclusões visando o clássico enmtre ambos, marcado para este domingo.
"Não iria ter muito parâmetro vendo o jogo do Botafogo. Eles entraram com um time muito mexido", explicou o treinador. "Optei por ver o jogo do Palmeiras mesmo. Achei que seria mais importante. A secada é normal. A gente seca daqui e eles secam lá".
Andrade, na verdade, tem receio de criar uma expectativa exagerada no torcedor e decepcioná-lo sem conquistar o título.
"Não é o momento para falar em título. Temos que chegar ao G-4 primeiro. Depois, se criamos a expectativa e não conquistamos o título, o torcedor vai ficar frustrado", contou Andrade.
O discurso e a intenção do técnico rubro-negro podem até estar corretos. Mas até dentro do próprio elenco já quem sonhe terminar o ano com o título nacional, que não vem desde 1992 para o Flamengo.
"Quem está aqui há muito tempo busca o título do Campeonato Brasileiro. Fizemos boa campanha nos dois últimos anos", confirmou Leonardo Moura, para lembrar que é preciso vencer o clássico de amanhã. "As coisas estão clareando agora. Mas precisamos entrar no G-4 primeiro".
Outro ponto em que os jogadores do Flamengo repetem a mesma fala é sobre o local do jogo de amanhã: o Engenhão. Depois de Juan, Zé Roberto e Adriano terem criticado a escolha do estádio, Leonardo Moura repetiu o discurso.
"Jogar no Engenhão é um pouco complicado por causa da dimensão do campo. Além disso, ficamos preocupado com a situação dos torcedores", disse o lateral-direito.
Mais contemporizador, Andrade é brando sobre o tema. "Eles têm certa vantagem por jogarem no Engenhão e conhecerem melhor o campo. Mas isso é muito pouco para um clássico", disse o treinador, admitindo o favoritismo.
"O momento é favorável ao Flamengo. Eles sabem disso. Já trabalhei com o time na zona do rebaixamento e sei o que se passa do lado de lá".


