Summer Finn é uma garota linda, esperta, com um gosto incrível para música e cinema, perfeita para Tom Hanson, um garoto esperto, boa praça e com um excelente gosto para música e cinema. E, como nas histórias de amor, eles acabam juntos – mas, como na vida real, não por todo o sempre. Summer não acredita no amor a longo prazo, graças ao trauma do divórcio dos pais.
Já o rejeitado Tom, que aprendeu tudo o que sabe sobre amor ouvindo música pop (coitado), transforma-se em clichê de letra de música sertaneja (ou emo, se preferir), abandonado pelo seu grande amor, afundado no álcool e na junk food.
Contado de forma não linear (os 500 dias vão e voltam ao longo de todo o filme), “500 dias com ela”, longa de estreia do diretor de videoclipes Marc Webb, é basicamente uma comédia romântica recheada de referências pop sobre um cara que leva um pé na bunda, uma espécie de “Alta fidelidade” para jovens adultos – com melhores recursos técnicos e visuais, mas mais superficial.
Na pele de Summer, Zooey Deschanel exibe mais uma vez seu charme tímido de Audrey Hepburn indie, enquanto Joseph Gordon-Levitt, eterno garotinho da série “3rd rock from the Sun”, encarna com eficiência o romântico e loser protagonista.
Se a premissa do filme não é um primor de originalidade, a estrutura e o tom ajudam a tirar o filme da previsibilidade onde poderia cair. Enquanto carrega a história para frente e para trás, a edição não linear prende o espectador, que fica tentando entender o que diabos aconteceu no 500º dica com Summer. Ao mesmo tempo, Webb consegue fazer piada com o estado deprimido de Tom, que de outro modo correria o risco de virar só mais um jovem angustiado cheio de autocomiseração.
Trilha charmosa
A trilha sonora é tão charmosa quanto Deschanel, com uma quedinha pela obra dos Smiths, que aparecem mais do que alguns personagens secundários – melhor que os originais é a versão de “Please, please, pelase, let me get what I want” da banda de Morrisey e Marr cantada pela atriz, em seu projeto musical She & Him.
Apesar de toda a simpatia, o espectador pode terminar o filme achando que faltou alguma coisa – e realmente falta. O roteiro é leve até demais e os personagens (tirando Tom) são pouco explorados.
Summer não chega a ser um adereço, mas pouco ficamos sabendo sobre quem ela é realmente, exceto o fato de ser o objeto de desejo do protagonista. É uma pena que uma personagem com esse potencial seja mal aproveitada – um erro que transforma um filme que poderia ser a comédia mais deliciosa da temporada em um filme médio.