A base governista intensificou os esforços no Congresso para tentar impedir a instalação da CPI do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O prazo para retirada das assinaturas do requerimento que pede a criação da CPI termina à meia-noite de hoje.
O pedido de CPI foi lido com as assinaturas de 185 deputados e de 35 senadores. Para ser instalada, são necessárias, ao menos, as assinaturas de 171 deputados e de 27 senadores. A oposição diz contar com assinaturas "de gaveta" para apresentar caso alguns deputados retirem seus nomes do requerimento.
"Temos até a meia-noite. Não posso falar em números. Mas vários deputados disseram que iriam retirar seus nomes do requerimento", disse o deputado Dr. Rosinha (PT-PR).
No entanto, ele admitiu que há dificuldade para convencer os deputados a tirarem seus nomes. É que a oposição ameaça divulgar na internet, rádio e TV os nomes dos parlamentares que desistirem de apoiar a criação da CPI.
"Está muito difícil. Estou tentando na base do convencimento, mas a ameaça do outro lado tem dificultado", disse Dr. Rosinha (PT-PR).
Segundo ele, a invasão e suposta depredação da fazenda de laranjas da Cutrale, no interior de São Paulo, também atrapalha no convencimento dos deputados. "Outro ponto que todos fazem referência é a invasão da Cutrale. Aquelas imagens chocaram os parlamentares."
Apenas 70 deputados que integram a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara assinaram o requerimento de criação da comissão. Dos 185 deputados que assinaram o pedido da CPI, 117 são dos três maiores partidos da oposição --DEM, PSDB e PPS.