O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que o Brasil estará "bem na fita" se os investimentos anunciados hoje pela Vale saírem do papel. Segundo o presidente da mineradora, Roger Agnelli, estão previstos R$ 24,5 bilhões em investimentos para 2010.
"Você viu a quantidade de investimento que o Roger [Agnelli] anunciou hoje? Se isso não for só no papel, nós estamos bem na fita", afirmou Lula em discurso na cerimônia de entrega do prêmio "As empresas mais admiradas no Brasil - 2009", da revista "Carta Capital", em São Paulo.
Agnelli apresentou o plano de investimento hoje à tarde, também em São Paulo, em reunião com Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ministro Guido Mantega (Fazenda), além de outros integrantes da mineradora e do governo. Nas últimas semanas, Lula vem pressionando a Vale para aumentar a produção de bens de maior valor agregado em substituição à matéria-prima --o minério de ferro.
Durante seu discurso, o presidente ressaltou que se os investimentos anunciados pela Vale forem concretizados, o Brasil vai atingir a respeitabilidade que tanto brigou.
"O Roger [Agnelli] vai gastar o que a Vale nunca ganhou [...] Se tudo isso acontecer, como eu estou pensando que vai acontecer, eu penso que nós atingiremos um patamar de respeitabilidade que nós brigamos por muito tempo", afirmou.
Mais cedo, durante almoço oferecido pelo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, Lula criticou a Vale. O presidente vem mencionando a Vale em vários discursos e insiste para que a mineradora amplie a venda de produtos de valor agregado e deixe de exportar matéria-prima.
"O momento de crise serve para repensar o que fazíamos e quando achávamos que não havia outro caminho. O século 21 tem que ser arrojado, fazer mais, procurar fronteiras. Chega de ficar sentado na cadeira da Vale do Rio Doce no Rio. Tem que sair à rua e vender. Tem que disputar cada milímetro", afirmou o presidente.
Reportagem da Folha informa que Lula tem demonstrado interesse em mexer na diretoria da Vale, por meio dos fundos de pensão. Já houve pressão até pela substituição de Agnelli.