Os movimentos sociais e a implantação de programas sociais como o Bolsa Família foram os temas que geraram uma grande discussão entre o deputado Judson Cabral (PT) e Gilvan Barros (PSDB), Arthur lira (PP) e Antonio Albuquerque (PT do B), na sessão desta terça-feira, da Assembleia Legislativa de Alagoas.
O debate foi iniciado com o pronunciamento de Judson Cabral que criticou as prefeituras que “desaparecem” com o dinheiro repassado pelo governo Federal aos beneficiados dos programas sociais. ele ainda explicou que durante o começo do governo Lula com a criação do Bolsa Família, foram criados conselhos para fiscalizar, mas que depois, após pedido do PMDB, eles perderam força.
“Os conselheiros fiscalizavam a relação. Eu coordenei essa parte. Os prefeitos não tinham a maioria e com isso se sentiram ofendidos. O PMDB que é o maior partido em numero de prefeituras, em Alagoas, reuniu e pressionou o presidente Lula para extinguir a ação do conselheiro gestor”, disse.
O petista foi ainda mais além. Segundo Cabral, a cultura de Alagoas é de gestores utilizar o programa como forma a tirar dividendos eleitoreiros. “O Governo Federal transfere o dinheiro claro e limpo, mas, o prefeito tenta e dá um desvio distinto. É natural com que isso aconteça num país com mais de cinco mil municípios”, completou.
Em a parte, o ex-presidente Antonio Albuquerque (PT do B) afirmou que o Bolsa Família serve para um “cadastro eleitoral”, onde o gestor troca o dinheiro pelo voto. Para o parlamentar, o programa não foi criado com essa intenção, mas que dá um suporte essencial ao presidente Lula.
“É uma troca bastante publica pela compra de voto. O Bolsa Família não foi criado com essa intenção. Muitos municípios criam outras bolsas e se percebe claramente que trata-se de um cadastro eleitoral, com resultados práticos de compra de votos. É preciso que não aceite resultados pessoais”, falou Albuquerque.
Movimentos Sociais
Outro ponto bastante discutido na sessão foi às recentes manifestações e ações por parte de movimentos sociais. Desde a tarde de hoje, que integrantes de um movimento sem-terra ocupam o clube dos servidores da Assembleia Legislativa, localizado na saída de Maceió pelo litoral sul.
Há alguns anos, durante a invasão de trabalhadores no plenário da ALE, o então presidente, Antonio Albuquerque, opinou a ocasião dizendo que os mesmos deveriam ser expulsos a “tabicas”. A afirmação foi lembrada pelo próprio deputado, que justificou sua fala na época, alegando que só a fez, pois procurou todas as autoridades do Estado, mas ninguém se manifestou para tomar alguma atitude.
“Queriam que fossem preservadas as integridades físicas dos servidores da casa e dos deputados. Estava um clima de violência, medo. Tinham armados travestidos de trabalhadores. Não podemos tratar com flores. No momento de indignação profunda feitos pelos movimentos. Inclusive um dos lideres sem-terra é casado com uma procuradora do Estado”, explodiu.
Em resposta, Judson Cabral disse que concorda com as colações de Albuquerque no que diz respeito às manifestações mais agressivas, mas não quando falava que deveriam tirar na tabica. “Concordo que teremos que controlar os excessos. Não têm direito de agredir, resolver com as próprias mãos”, continuou.
Outro deputado que usou a palavra foi Arthur Lira (PP). O parlamentar foi taxativo em criticar o Incra, que para ele, apenas fomenta e não toma nenhuma atitude quanto aos excesso praticados pelos movimentos sócias e os assentamentos.
“Não quero desmerecer os assentimentos, mas só uma grande maioria são negociantes dos proprietários, empresários. Não cumpre os acordos. Está desqualificado na sua quase totalidade por espaço político. Existem denuncias gravíssimas contra assentamentos irregulares, onde manifestações impedem o direito de ir e vir”, opinou o filho do deputado federal, Benedito de Lira (PP).
“Os movimentos passam pelas prefeituras fazendo exigências. Em São Sebastião aconteceu várias exigências e ameaças, por esses que andam nessas rodovias. Cadê o dinheiro que vem do governo federal? Como é gasto? Quem cuida disso? A maioria dos movimentos e assentamentos são imorais e sobrevivem das tetas do governo , extorquindo fazendeiros”, completou.
Ainda em seu discurso, Lira contou que pretende estudar a possibilidade de criar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os movimentos sociais e que a caso não seja possível, tentará de todas as maneiras fazer com que membros da Câmara Federal venham a Alagoas para saber os destinos nos recursos.
“Tem que mostrar serviço em alagoas. O Governo fecha os olhos pra essa baderna. Eles quebram, roubam, matam e nada acontece. É um confronto social. O governo do PT perdeu as rédeas com eles. O Lula tem sido incompetente e incapaz, com que ele usou para ser eleito, estimulando terras alheias. Falta personalidade que usam os movimentos para tirar proveitos”, desabafou.
Judson Cabral voltou a falar e responder as criticas dos colegas. “É um estado de latifúndio, sendo 66% estão nas mãos de 6% de proprietários. Está concentração de renda, que provoca a desigualdade. Essa causa eu defendo. Não defendo vândalos. Tem que ser apurado, tem que ser na forma de lei. Não defendo vandalismo, mas não confundo trabalhadores com marginais”, disse o parlamentar.
O petista falou também que conhece toda história de Alagoas e pediu aos parlamentares que lembrassem quem foi que passou por cima de milhares de casa. “Esses crimes nenhum exalam. É preciso fazer debate da agrilagem. As terras estão nas mãos de Neofazendeiros. Se fizermos averiguação iremos descobrir a origem de tantas famílias sem-terra. Essa discussão precisa de um aprofundamento claro”, concluiu.


