O vice-campeonato da seleção brasileira sub-20 está fresco na memória dos ainda mais jovens da sub-17. Uma campanha sem derrotas, com direito a melhor defesa da competição, mas com “detalhes” – pênaltis – que fizeram a diferença no momento decisivo. O discurso antes do embarque para o Mundial da categoria, na Nigéria, não poderia ser diferente. Todos bateram na tecla: absorver o que a equipe do técnico Rogério Lourenço fez de melhor.

Temos falado muito com eles (jogadores). Assistimos a todos os jogos, e só a final não foi possível em função do treino. Mas na hora dos pênaltis eles pediram para assistir. E de certo ponto temos que extrair algumas coisas boas das derrotas, infelizmente foi do grupo da 20 que torcíamos para ganhar, mas ficou bem nítido para eles que nem sempre o melhor vence – disse o treinador Lucho Nizzo.

 

O exemplo também está na cabeça do capitão e zagueiro Gerson, do Grêmio.

– Ficamos tristes até porque a gente sabe que é um torneio mundial que é bom para aqueles que participaram e todos os brasileiros que querem jogar futebol, pois valoriza mais o nosso país. Ficamos sentidos, mas nos dá mais experiência porque vimos que tudo se define num detalhezinho, numa pequena situação, num treino às vezes, num momento de concentração... e é isso que a gente mais tira de lição. Ganhamos no Sul-Americano nesse detalhe, mais uma prova do que disse – afirmou.

 

Na ocasião, o título veio nas penalidades contra a maior rival Argentina. A equipe ainda conquistou a Copa 2 de julho e Copa Sendai, no Japão. Bagagem e rodagem que ficaram ainda mais extensas com o período de convivência com a seleção principal, na Granja Comary.

– Foi ótimo, conheci todos eles, participei de dois treinos, e tive a oportunidade de conhecer os ídolos. Aconteceu inclusive uma situação inusitada que conto para todo mundo. Estava na área e o Dunga falou que iria fazer um treino de bola parada. Estava ali e só olhei para os lados. Apareceram Imperador, Lucio, Miranda, Gilberto Silva e Luis Fabiano. Vou marcar quem? – contou Gerson, em tom brincalhão de um capitão centrado e escolhido na função pelos companheiros.

O técnico Lucho Nizzo aproveitou para agradecer à comissão técnica da seleção principal pela oportunidade.

– Queria ao mesmo tempo parabenizar o Américo (Faria) e agradecer ao Dunga e Jorginho porque nós nunca tínhamos passado por situações como essa de integração e participação. Foram super solícitos, acompanharam dois jogos-treinos nossos, perguntaram sobre os jogadores… tenho certeza que os meninos amadureceram bastante com esse contato – disse.

 

Como não há um voo direto para a Nigéria, o grupo fará uma breve escala em Paris, onde chegará por volta das 8h desta terça-feira (horário local), e de lá seguirá para Lagos, sede da seleção no Grupo B. A estreia será no sábado, às 16h (de Brasília), contra o Japão.