Para grande parte do eleitorado do interior de Alagoas pouco importa se o seu candidato cometeu ou não algum crime e culturalmente a passionalidade acaba substituindo a razão na escolha do voto.

Detentores de currais eleitorais, prefeitos, deputados, vereadores e senadores têm popularidade garantida, e mesmo com a ficha suja, poderão ser reeleitos em 2010. Para boa parte dos eleitores, as perspectivas futuras do candidato para o Estado ou município não são consideradas e a imagem acaba se sobressaindo.
 

O deputado estadual e pivô da briga entre o Judiciário e Legislativo, Cícero Ferro, que nasceu em Minador do negrão e conquistou “fãs” no Sertão alagoano e ainda, João Beltrão, que é do município de Coruripe e desperta a simpatia no litoral sul do Estado e Antônio Albuquerque, nascido em Limoeiro de Anadia e bem votado no Agreste, que foram indiciados na Operação Taturana são apenas alguns exemplos.O ex-presidente da República e atual senador, Fernando Collor também tem eleitorado garantido nas cidades do interior.


Segundo o cientista político, Alberto Saldanha a população dos municípios do interior não escolhe o candidato pelo partido e sim, pela simpatia que ele desperta, além da troca de favores e da compra de votos que ainda é comum. Ele acredita que um sistema partidário, que se identificasse com o eleitor ajudaria na conscientização.

“O carisma e a personalidade de alguns políticos são considerados na hora da eleição. Temos como exemplo a vereadora Heloísa Helena, que demonstra ser uma mulher de fibra, forte, guerreira e as pessoas se identificam com ela”, afirmou.
 

“Em regiões mais pobres as pessoas se submetem á troca do voto, mas isso não acontece só em Alagoas, porque isso é cultural. No Rio de Janeiro a população está votando em milicianos, que privatizam o espaço público. Os poderes constituintes precisam ser mais enérgicos e punir quem burlar as leis. Se a Assembléia Legislativa tivesse compostura e decoro e não permitisse que políticos que têm processos na justiça continuassem imunes, isso serviria de exemplo. Tanto eleitores quanto candidatos pensariam nas conseqüências antes de faze algo errado”, ressaltou Saldanha.

Ele explicou que se a inelegibilidade para políticos com ficha suja tivesse sido aprovada no Congresso mostraria que a política é coisa séria, embora existam muitos eleitores desiludidos.

“A reação contrária da OAB e do Movimento contra a corrupção reforça o desejo de combater a compra de votos e outras irregularidades. As operações da Polícia Federal também ajudam, mas a população alagoana também deve cobrar do MP, TRE e TJ para que esses órgãos coíbam esse jogo sujo”, disse o cientista político

O agente de saúde, Jânio Bernardo, que mora no município de Palmeira dos Índios e simpatiza com o senador Fernando Collor disse que sempre acreditou nas coisas ditas por ele e que caso Collor seja candidato ao governo do Estado, em 2010, votará nele.

"Ele fala mesmo o que pensa e pra mim, fez uma boa gestão como presidente. Votei nele para o senado e votarei de novo, se ele se candidatar", destacou.
 

A mesma situação é passada pelo professor de educação física Ricardo Silva que diz que não leva em consideração o que cada político "roubou" mas o que cada um pode "fazer".

"Olhe roubar,todos roubam então émelhor votar em alguém que pelo menos faça alguma coisa né" explicou ele.