A elevada carga horária de trabalho de parte da população e a existência de empregos extremamente precários para outras pessoas são alguns dos principais responsáveis pela queda na qualidade de vida dos brasileiros e o conseqüente crescimento da demanda pelos benefícios de seguridade social.
A avaliação foi feita por Milko Matijascic, chefe da Assessoria Técnica da Presidência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na apresentação do estudo Qualidade de vida Seus Determinantes e Sua Influência sobre a Seguridade Social, lançado ontem, quarta-feira (14), em Brasília.
A análise teve como base os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), do Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério da Previdência e Assistência Social e do Ministério da Saúde.
O pesquisador destaca o crescimento acelerado da expectativa de vida da população brasileira. As pessoas vivem mais, mas a esperança de vida saudável não cresce na mesma proporção.
- A pesquisa indica que, embora tenhamos elementos muito positivos a comemorar, como o aumento da esperança de vida, o fato de termos tido algumas décadas de baixo crescimento e de condições bastante precárias para o investimento público acarretaram numa qualidade de vida bastante ruim.
Isso, segundo ele, faz com que as pessoas fiquem doentes mais cedo e aumenta os gastos previdenciários.
- Isso indica que para o futuro e para as próximas décadas precisamos rever uma parte das nossas prioridades para fazer com que a população atinja níveis de vida melhores e sejam produtivas por mais tempo, exigindo menos esforços por parte do Estado.
Ele recomenda, como iniciativas públicas, a melhoria da qualidade da educação, condições adequadas de moradia e execução de programas preventivos para evitar certas doenças.
- Caso contrário, os indicadores melhoram mas vêm acompanhados de dificuldades familiares e de um maior gasto do Estado.