Controverso, cheio de inimigos e discreto, assim pode ser classificado o empresário German Efromovich, boliviano de nascimento e naturalizado brasileiro desde 2005. Eele é dono de um verdadeiro império que engloba empresas de aviação, exportação e na área de construção naval, da qual uma das suas empresas aporta em Coruripe para a construção do maior empreendimento econômico da história de Alagoas.
Efromovich vem passando por um verdadeiro turbilhão de denúncias e conquistas e é considerado um empresário atípico pela sua capacidade de encontrar as oportunidades e briga em terrenos onde a concorrência “não brinca” como a aviação civil e o ramo petrolífero.
O empresário virou alvo do Ministério Público depois que uma de suas empresas, o estaleiro Mauá Jurong, foi citado na operação Águas Profundas, na qual em julho de 2007 a Polícia Federal desbaratou um esquema de fraude em licitações da Petrobrás, empresa com a qual está envolvido numa rumorosa briga judicial por conta da plataforma P-36, que o empresário ganhou a licitação desagradando outros tubarões do empresariado brasileiro.
O que não se pode acusar Efromovich é de ele ser um aventureiro, com uma base sólida o empresário vem obtendo êxito em quase todas as suas iniciativas empresariais.
Além da Ocean Air, que se juntou a colombiana Avenca e a salvadorenha Taba, se tornando a 4° da América latina no ramo ele constrói, instala e presta manutenção a plataformas petrolíferas.
Efromovich também explora petróleo no Brasil, no Equador e na Colômbia.
Nos dois países vizinhos tem como sócio a Prime, empresa texana pertencente ao grupo Elliot. No total, recolhe por dia 5 mil litros de óleo e multiplicar esse número por 10 em 2004.
Não é só: Efromovich monta infra-estrutura para telefonia em Miami, extrai gás natural no Texas e está pronto para construir três PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Sua corporação, a Marítima, estende os braços por outros nove países. Por ano, movimenta US$ 200 milhões e emprega mais de 5 mil pessoas.
Métodos controversos
Se Efromovich é um vencedor no seu meio, o método que ele utiliza para chegar a estas vitórias incomoda muita gente e lhe rende processos e críticas.
No caso da Operação Aguas Profundas, o empresário é acusado de oferecer comissões para funcionários e manter uma relação de “amizade” com o ex-presidente da estatal Joel Rennó.
Apenas para a construção de quatro navios para a Transpetro, a empresa do boliviano-brasileiro recebeu R$ 630 milhões.
A empresa trabalha ainda na conclusão das plataformas P-54 e Mexilhão - esta em Santos. Cada uma custa R$ 1 bilhão e o estaleiro tem participação de cerca de 50% na empreitada. A encomenda está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que suspeita de superfaturamento no projeto.
Os dois contratos receberam financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para os navios, o banco concedeu R$ 564,5 milhões; para a plataforma, US$ 272 milhões - o equivalente a cerca de R$ 540 milhões.
Outro aspecto bastante discutido são as doações feitas pelas empresas do empresário boliviano para políticos, na sua maioria da base do governo.De acordo com o que foi apurado pelo Cadaminuto um dos políticos alagoanos que foi beneficiado com doações do empresário foi o ex-deputado João Caldas que recebeu R$ 180 mil na eleição de 2006.
Como surgiu o empresário
Em entrevista a revista Isto É dinheiro Efromovich explicou o estilo “bloco de um homem só” com sua própria história. “Minha família era pobre”, diz. “Sempre tive de buscar meu próprio dinheiro.” Essa história começa na Polônia às vésperas da II Guerra Mundial. Lá, o avô cavou a própria cova antes de morrer com um tiro na nuca num campo de concentração nazista.
A mulher e os filhos tiveram o mesmo destino. O pai de Efromovich só escapou porque fugiu para a Rússia. Lá conheceu a futura mulher e imigrou para a Bolívia, onde German nasceu.
Depois de uma passagem pelo Chile, a família desembarcou em São Paulo. Ele naturalizou-se brasileiro. Desde os 13 anos, mergulhou no trabalho. Vendeu enciclopédias e fundos de investimentos. O domínio do espanhol o levou a dublar filmes da AIC, que vendia as fitas para a América Latina. Durante o curso de engenharia mecânica, abriu um supletivo em São Bernardo do Campo. Nas carteiras de suas salas de aula, sentou um metalúrgico chamado Luiz Inácio da Silva, o Lula, atual presidente da República. “Às vezes, nos encontrávamos na porta de fábricas”, conta Efromovich. “Ele fazendo panfletagem sindical e eu, panfletagem do cursinho.”
Assim que se formou, Efromovich abriu uma empresa de testes de estrutura. À noite, trabalhava em obras e examinava estruturas de construções industriais. Durante o dia, tocava a área administrativa da empresa e visitava clientes. “Faltava dinheiro para tudo”, diz ele.
“Certa vez, meu irmão levantou um financiamento para comprar meu carro, mas o dinheiro foi para a folha de pagamento.” Em uma das viagens aos EUA, Efromovich levou apenas US$ 330 para 15 dias de estadia. Durante o dia, marcava reunião com os possíveis parceiros no saguão de hotéis de luxo, como o Sheraton e o Hilton, embora não estivesse hospedado ali.
“Eu chegava uma hora antes do horário para não ser desmascarado”, recorda. Depois do expediente, ia para restaurantes lavar pratos e levantar alguns trocados. Efromovich voltou para o Brasil com diversas parcerias com empresas americanas. Era a gênese da Marítima. Nas décadas seguintes, empurrado por um bocado de brigas e algumas boas sacadas, Efromovich tornou-a em negócio polêmico e milionário.