Na briga pelo ouro olímpico, clubes cariocas querem garantir a prata da casa. Determinados a enviar o maior número de representantes para os Jogos de 2016, técnicos e dirigentes estão fazendo de tudo para segurar na equipe jovens promessas. Sem dinheiro, os cartolas estão recorrendo à distribuição de benefícios como bolsas de estudo e auxílio-alimentação para os futuros campeões. Alguns estão apelando até para o registro precoce nas confederações desportivas.
Já em contagem regressiva para as Olimpíadas do Rio, clubes abriram as portas para aqueles que desejam se dedicar à carreira esportiva. Hoje, basta entrar em contato por telefone para agendar um teste. Quem se sai bem tem a vaga garantida nas equipes que já começaram a ser preparadas para os Jogos. Mas, para se manter nelas, não basta ter talento. Tem que treinar como profissional.
Atletas mirins de natação do Tijuca Tênis Clube, Pedro Miranda, 10 anos, e Alan Joaquim, 11, nadam até três mil metros por dia. Duas das principais apostas do Tijuca para as Olimpíadas de 2016, eles foram federados há um ano. E ainda comemoram a ‘promoção’. “Nem acreditei quando o técnico disse que eu seria federado. Mudou minha vida! A natação deixou de ser brincadeira e virou profissão”, conta Alan, que nada desde os 2 anos.
VASCO TEM INFRAESTRUTURA DE PONTA
Impressionados com a habilidade dos pequenos Thiago Franco e Igor Iglesias, 8 anos, dirigentes do Vasco não perderam tempo. Já os promoveram para a equipe mirim de basquete do clube, cuja faixa etária é de 12 e 13 anos. “Quando a gente vê que o garoto tem futuro, não tem por que esperar. Levo fé nos dois; tanto que já os federei. Hoje eles jogam com crianças que, apesar terem 12 anos, não são federados”, justifica o técnico Luiz Brasília.
Atento à necessidade de investir na formação de novos atletas, o coordenador de Esportes Olímpicos do Vasco, José Mauro Ribeiro, anunciou mudanças para 2010. “Estamos desenvolvendo alguns projetos para tentar trazer o maior número de atletas para o clube. E já temos infraestrutura de ponta, que inclui equipamentos sofisticados, acompanhamento psicológico e até pagamento de ajuda de custo para os atletas”, adianta Mauro.
A caça aos campeões não se restringe ao Rio. Alguns cartolas vão longe buscar jovens talentos. É o caso do Botafogo, que trouxe de Manaus, no Amazonas, sua principal aposta de medalha. Acostumado a treinar contra a forte correnteza do Rio Negro, o jovem Aílson Eráclito, 21, foi contratado para reforçar o Alvinegro após conquistar o vice-campeonato mundial de remo sub-23 peso leve, em julho, na República Tcheca. “Nós o vimos numa regata e não tivemos dúvida. Fizemos de tudo para trazê-lo. Queremos o Brasil brilhando nas Olimpíadas com atletas do Botafogo”, destaca o técnico de remo, Alexandre Fernandez.
No Fla, crianças nos passos de campeões
A fábrica de campeões que lapidou ídolos olímpicos como os irmãos Danielle e Diego Hypólito e Jade Barbosa é a grande inspiração da pequena ginasta Isabelle Cruz, 11, há quatro anos no time. “No último Brasileiro, consegui índice para disputar o sul-americano. Eu sonho em ir a uma Olimpíada. Fiquei ainda mais feliz quando soube que o Rio ganhou”, anima-se.
A técnica da menina, Viviane Cardoso, chama a atenção para a importância do incentivo: “A falta de apoio faz com que muitas crianças desistam, porque nem todo mundo tem condições de arcar com os custos do treinamento”.
Amor à camisa não é o bastante
Os clubes sabem que o amor à camisa não basta para que jovens talentos fiquem na casa. No Vasco, onde a estrutura é melhor que a média, dirigentes sabem que é preciso oferecer mais. Hoje, o clube só paga transporte e alimentação em jogos e torneios. “O ideal é que sempre houvesse ajuda de custo para a condução e lanche após cada treino”, compara José Mauro Ribeiro, coordenador de Esportes Olímpicos da Colina. “Quando a gente vê que um atleta sobressai, procuramos mantê-lo no clube com algum tipo de ajuda. Estamos elaborando projeto de intercâmbio para atrair talentos de fora do Rio”, completa.