Aos poucos, o técnico Muricy Ramalho implementa o seu estilo no Palmeiras. E duas características marcantes da época que o treinador estava no São Paulo já podem ser notadas no atual líder: a polivalência dos atletas e a mudança de esquema tático no meio da partida.
Do atual elenco do Palmeiras, vários jogadores atuam em mais de uma posição: Diego Souza (meia e atacante), Edmilson (zagueiro e volante), Cleiton Xavier (volante e meia), Willians (meia e atacante), Marcão (zagueiro e lateral-esquerdo), só para citar alguns exemplos.
Questionado sobre o assunto, o técnico Muricy Ramalho reconheceu esta qualidade dos seus atletas, e usou a situação econômica do país como justificativa para que isso aconteça.
"No Brasil, a parte econômica conta muito. Você não consegue ter dois jogadores iguais em cada posição. Por isso, quando vai montar o time, tenta contratar sempre aquele atleta que joga em mais posições", explicou Muricy Ramalho.
O técnico acredita que a polivalência dá certo no Palmeiras porque ele conhece as características dos jogadores e busca preservá-las. "Respeito muito as características deles. Não crio terceira posição para o jogador. Se isso não vai prejudicá-lo, e ele mostrar no treino que sabe jogar em outras posições eu escalo sim".
O Palmeiras de Muricy Ramalho também se caracteriza por alterar o esquema tático no meio do jogo, às vezes até sem mudar nenhuma peça e sem esperar o final do primeiro tempo.
"A gente não espera o intervalo para mudar. Eu busco criar isso no time para mudar mesmo no primeiro tempo sem mudar os jogadores", confessou Muricy, que citou o clássico contra o Santos como um exemplo de jogo que esta mudança aconteceu.
"O time estava com problemas de posicionamento, daí eu, o Danilo e o Edmilson nos reunimos no campo e chamamos o Xavier [Cleiton] para ajudar na mudança", contou.
Mas Muricy também fez mudanças durante os jogos que alteraram o esquema tático do Palmeiras. Das 13 partidas que ele treinou o time, em oito ele trocou atletas para mudar a tática da equipe. Por isso mesmo que o técnico confessou que fez seus comandados aprenderem a atuar em mais de um sistema de jogo no duelo desta quinta-feira contra o Avaí, às 21h, no Palestra Itália.
"A gente estuda bem sempre o adversário, pois tem que ter alternativas, não pode se prender a um esquema só. Todas às vezes a gente posiciona a equipe de duas maneiras diferentes, pois não sabe o que vai acontecer na hora", justificou.