Uma reunião na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nesta quarta-feira à tarde, no Rio de Janeiro, poderá abrir caminho para o financiamento da remodelação do Beira-Rio para a Copa do Mundo de 2014. O dinheiro viria de uma linha de crédito de R$ 4,8 bilhões para reforma e construção de estádios, mas o Internacional ainda desconhece condições como juros e prazo de pagamento.

Conforme o vice de Patrimônio, Emídio Ferreira, o custo do novo Beira-Rio ficará entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões. O valor está dentro do limite de R$ 400 milhões por estádio imposto pelo BNDES, cujo teto de financiamento não pode passar de 75% do total da obra. No caso das arenas públicas, os juros propostos estão em 7,9% ao ano, com prazo de carência de dois anos e parcelamento em 10 anos.

A questão é que os estádios privados (Beira-Rio, Morumbi e Arena da Baixada) terão negociações à parte. De acordo com a assessoria do BNDES, dependerão de avaliação de risco e de garantias para o banco. Se a proposta não for vantajosa, explicou Ferreira, o Inter pode dispensar o financiamento.

- Estão nos chamando para sentar. Vamos lá escutá-los. Clubes de futebol têm problemas para buscar financiamentos - afirmou o vice de Patrimônio colorado.

Segundo ele, a prioridade hoje é garantir isenção de impostos na compra de insumos para as obras do estádio. O clube tenta fugir de tributos como IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A remodelação deve durar dois anos e ainda não tem data de término.
Prefeitura quer liberação de dinheiro público em vez de empréstimos

Se o Inter espera pelas condições do BNDES, a prefeitura de Porto Alegre reclama da falta de liberação de dinheiro público para obras de infraestrutura. O vice-prefeito e secretário extraordinário da Copa, José Fortunati, criticou o que considera descaso com o Mundial.

- O governo federal está brincando com a Copa. Está mais preocupado com as Olimpíadas do Rio-2016. Tem que rever a posição e colocar recursos seus. Para Porto Alegre, está lavando as mãos - disse.

Fortunati fez a queixa porque, segundo ele, a prefeitura não teria hoje capacidade de contrair financiamentos. Se o fizer, sustentou, abrirá rombos em outras áreas. Por essa ótica, nenhum centavo dos R$ 5 bilhões previstos pelo BNDES para o PAC da mobilidade acabaria em Porto Alegre. O banco planeja disponibilizar R$ 15 bilhões entre Copa e Olimpíada – além do dinheiro dos estádios e da infraestrutura em transportes, R$ 5 bilhões irão para a ampliação da rede hoteleira.

A assessoria do BNDES informou que, em caso de projetos especiais, pode acontecer descontigenciamento, o que significa liberar verbas em condições diferenciadas. O banco, no entanto, não soube adiantar se Porto Alegre se enquadraria nestas condições.

Como será o financiamento público para a Copa e a Olimpíada

VALOR TOTAL - R$ 15 BILHÕES

- É quanto o BNDES disponibilizará para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016
- R$ 5 bilhões para o PAC da mobilidade (infraestrutura em transportes)
- R$ 4,8 bilhões para reforma ou construção de estádios
- R$ 5 bilhões para reforma de hotéis. O aporte inicial é de R$ 1 bilhão, para a Copa

O EMPRÉSTIMO DOS ESTÁDIOS
- Limite de R$ 400 milhões
- Financiamento de até 75% do valor
- Dois anos de carência, mais 10 anos de prazo

OS JUROS PARA OS ESTÁDIOS PÚBLICOS

- 6% (taxa do BNDES, que pode variar) + 1,9% (custos de empréstimo e de risco)
= 7,9% ao ano
Haverá negociação nos estádios privados, caso a caso.

R$ 150 MILHÕES
É o custo máximo da remodelação do Beira-Rio. A obra depende das condições de financiamento e da venda do terreno do antigo Estádio dos Eucaliptos. O Inter quer arrecadar ao menos R$ 20 milhões com a área.