Planejado em sigilo pelo Ministério da Educação, o esquema de segurança que será criado para distribuir a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em todo o país começou a ser colocado em prática na tarde desta quarta-feira (7). A prova será realizada nos dias 5 e 6 de dezembro.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, uma equipe de agentes da PF passou a tarde desta quarta reunida com técnicos do MEC arquitetando a estratégia. “A nova estratégia é de domínio do MEC, mas já temos um grupo técnico trabalhando com o MEC hoje. Não vamos dar detalhes sobre o efetivo por uma questão de segurança, mas não vai haver agente da PF nas salas de aula”, explicou Corrêa.
Nesta terça-feira (6), depois de conversarem sobre o caso, os ministros Fernando Haddad (Educação) e Tarso Genro (Justiça) anunciaram uma parceria entre as duas pastas para que a estrutura do Ministério da Justiça fosse colocada a serviço da segurança do novo Enem. A primeira prova foi cancelada no dia 1º deste mês, depois da descoberta do vazamento do exame.
Segundo o diretor da PF, uma das principais missões do órgão será impedir que a mídia gerada em torno do vazamento da primeira prova leve a novas tentativas de sabotagem. “A PF vai controlar e auxiliar o MEC na questão da inteligência, inclusive com dados de pessoas que possa estar interessadas em tumultuar esse processo”, avisa Corrêa.
A PF vai controlar e auxiliar o MEC na questão da inteligência, inclusive com dados de pessoas que possa estar interessadas em tumultuar esse processo
O diretor da PF explicou que o órgão irá auxiliar o MEC a identificar possíveis falhas na segurança do processo de distribuição da prova. Corrêa, no entanto, afirma que não haverá liberação de efetivo para acompanhar a impressão da prova. “Não vai haver agente da PF nas salas de aula. A PF vai observar o processo logístico, identificar os passos desse processo de produção e aplicação da prova e fazer uma análise sobre os problemas de segurança. A partir disso, vamos chamar a atenção do MEC para os problemas”, explica o diretor da PF.
Na avaliação do diretor da PF, o vazamento ocorreu exclusivamente por falha do consórcio responsável por organizar a prova do Enem. “O Enem adquiriu uma importância que até então não tinha. E isso tudo ocorreu por incompetência do prestar de serviço”, avaliou.
Força Nacional
A partir de agora, segundo Corrêa, a PF vai coordenar todo o processo de segurança do exame. Se o MEC solicitar ou se a própria PF considerar necessário, a Força Nacional, a Polícia Rodoviária Federal e a própria PF serão envolvidas no processo: “Se o problema for de segurança física, pode ser que precise de algum efetivo da Força Nacional de Segurança, de um comboio da Polícia Rodoviária Federal."
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Aspas
É uma operação simples para os Correios. É um processo semelhante ao feito na distribuição das urnas eletrônicas durante as eleições. Vamos receber os envelopes lacrados e vamos entregar lacrados"
Correios
As declarações de Corrêa foram realizadas durante cerimônia de assinatura de uma parceria entre a PF e os Correios, na tarde desta quarta-feira (7), em Brasília. O presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, também falou da operação que será criada pelo órgão para distribuir o novo exame, que será aplicado a mais de quatro milhões de alunos em 10,3 mil escolas do país. “É uma operação simples para os Correios. É um processo semelhante ao feito na distribuição das urnas eletrônicas durante as eleições. Vamos receber os envelopes lacrados e vamos entregar lacrados”, detalhou Custódio.
O presidente dos Correios também disse que a empresa precisará de apenas 72 horas para levar as provas a todos os endereços do país. Custódio também revelou que a empresa trabalha em regime de alerta para evitar novos vazamentos. O presidente dos Correios não soube precisar o custo total da operação: “Estamos finalizando e ainda não fechamos o valor do custo da operação. Mas podemos dizer que em 72 horas no máximo as provas estarão no destino final.”