A popularidade do presidente pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva já alcança estados nos quais ele não teve uma votação expressiva, como Alagoas. O sucesso do torneiro mecânico, principalmente com a população carente se deve aos inúmeros programas sociais mantidos em seus mandatos, como o “Bolsa família”, criado durante a era de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e aperfeiçoado pelo PT.
Em fevereiro de 2009 a aprovação do presidente chegou a 84% e foi a mais alta do seu mandato, segundo pesquisa do CNT/Sensus, realizada em centro e trinta e seis cidades de todas as regiões do país, com dois mil eleitores. Em dezembro de 2008, Lula possuía 80,3%. Já em março deste ano, após um semestre da crise, a popularidade caiu e chegou a 78%, de acordo com o Ibope, uma vez que os efeitos começaram a ser sentidos pela população. Seu pior índice foi na época do mensalão, chegando a 50% de aprovação.
Este número em Alagoas ultrapassa os 90% o que vai fazer com que a grande maioria dos candidadtos a cargos eletivos em 2010 tentem colar sua imagem a do presidente da república na tentativa de angariar mais votos.
De acordo com o cientista político, Eduardo Magalhães existem várias razões para o presidente Lula ser popular e ainda, ter a aprovação da população alagoana. “São cerca de duzentas e quarenta e três mil famílias no Estado que recebem o Bolsa família e isso desperta a simpatia e agradecimento dos eleitores adultos”, ressaltou.
“A população pobre de Alagoas se identifica com o Lula. Ele manteve os programas do FHC, melhorando ou criando outros, como o vale gás, que funciona bem. Lula fala a língua do povo, as pessoas o entendem e sentem como se o presidente fosse uma delas. Isso criou uma empatia junto ao eleitorado alagoano, que convive com a exclusão social”, afirmou Magalhães.
Para o cientista político, o presidente também transmite a idéia de que o país melhorou e um sentimento de esperança para os brasileiros. “A escolha do Rio de Janeiro para ser a sede das olimpíadas de 2016 coroou a popularidade do presidente e pode garantir a ele uma nova candidatura. Não me surpreenderia se o PT lançasse, em 2010 ,um candidato ‘perdedor’, só para o Lula concorrer e ganhar em 2014”, destacou.
O aposentado José Walter Chaves Filho é um fã incondicional do presidente petista e vota nele desde sua primeira candidatura, em 1989, embora no 1° turno da eleição tenha votado em Mário Covas. “No 2° turno preferi o Lula e não o Collor e desde então voto nele, que é uma pessoa de origem humilde e um trabalhador como eu. Já basta a oligarquia que existe em Alagoas”, contou.
“Todo governo, por mais que faça, sempre vai faltar alguma coisa. No dia em que não tiver nada para fazer não precisaremos de governantes. Sempre haverá mazelas, mas com o Lula a população vem saindo da linha de pobreza. Ainda há concentração de renda, só que a classe média foi a que mais cresceu. Na época do FHC os aposentados foram muito perseguidos. Eu trabalhava em um banco e tive 43% do meu salário cortado. No governo Lula a situação foi estabilizada, tudo melhorou. Recebemos o retroativo e a dívida foi quitada. O Brasil está até emprestando dinheiro para o FMI”, afirmou José Walter.
Em relação ao Bolsa família ele não tem dúvidas de que o programa foi a forma encontrada pelo governo para melhorar a vida da população, mesmo sofrendo críticas da oposição. “É melhor ensinar a pescar, mas é como o presidente Lula falou: ‘Quem tem fome, tem pressa’, por isso não dá para esperar o bezerro nascer etirar o leite. O salário mínimo também vem crescendo acima da inflação e isso é bom", disse.
O tatuador Petrônio Rodrigues Júnior, que é pernambucano, mas mora em Maceió, contou que resolveu dar entrada em seu título de eleitor para votar em Lula, quando ele se candidatou pela primeira vez, acreditando na ideologia de mudança apresentada pela esquerda, embora tenha se frustrado com a omissão do presidente em determinados momentos de sua vida política. Ainda de acordo com ele, no governo Lula o Brasil conseguiu se projetar mundialmente, mas continua com os mesmos problemas internos, o que o faz não acreditar mais nos políticos.
“Era isso que contagiava as pessoas, mas com o tempo vieram as frustrações. Os programas sociais têm coisas boas e ruins, porque não são usados corretamente. Pensei que Lula seria um ‘não político no meio dos políticos’ . Mas, ele não teve posicionamentos de esquerda, entrou na onda dos outros e pessoas próximas a ele se envolveram com coisas ruins. Vi que criticar é mais fácil do que fazer. Ele preferiu não se comprometer porque tem o rabo preso. Gostaria de ver alguém que realmente fizesse diferente”, lamentou Petrônio.
