Após o golpe militar do dia 28 de junho, Honduras tem enfrentado meses de protestos, mortes e constante tensão interna. No entanto, o próximo sábado pode trazer uma trégua: a seleção de futebol do país enfrenta os Estados Unidos pelas eliminatórias, em casa, podendo se classificar para a Copa do Mundo de 2010.

Honduras ocupa a terceira colocação nas eliminatórias da Concacaf (que abriga países das Américas do Norte, Central e Caribe) para a Copa. Caso a Costa Rica, quarta colocada, perca para Trinidad e Tobago, uma vitória sobre os EUA neste sábado garante a seleção hondurenha na Copa da África do Sul.

"Seria maravilhoso alcançar essa façanha e ser parte dela. Acredito que será algo a ser lembrado pelos livros de história", disse o lateral-esquerdo Maynor Figueroa, que atua no Wigan, da Inglaterra.

Após o golpe militar, ficou difícil para jogadores que atuam no exterior treinarem juntos na seleção, já que precisam lidar com toque de recolher, fechamento de aeroportos e proibição de viagens. Além disso, cogitou-se até trocar o local da partida contra os EUA. Porém, a Fifa confirmou que o jogo será disputado em Honduras, onde o time da casa tem oito vitórias em oito confrontos pelas eliminatórias.

Maior estádio do país, o Olímpico de San Pedro Sula se transforma em um mar azul e branco quando a seleção joga em casa. Com 45 mil pessoas dançando, batucando e tremulando bandeiras, fazendo um barulho ensurdecedor - e até atirando copos de cerveja -, a torcida impõe um desafio complicado para as equipes visitantes.

Reconhecendo a importância do jogo, o técnico da equipe, Reinaldo Rueda, disse que "manter a cabeça fria" será crucial para seus jogadores. "Somos o time dos sonhos, só que não acreditamos nisso", disse o técnico colombiano, que conseguiu trazer grande disciplina ao time.

Até hoje, Honduras só esteve presente na Copa de 1982, na Espanha. Jogando este sábado no Estádio Olímpico de San Pedro Sula, a seleção pode alcançar algo que o os políticos hondurenhos não têm conseguido: uma unidade nacional.

"O futebol é um alívio para a dor. Ele nos relaxa e distrai. E nos faz esquecer dos sentimentos ruins", disse o ex-técnico da seleção hondurenha, Ramon Maradiago.

Os três primeiros colocados nas eliminatórias da Concacaf se classificam automaticamente para a Copa da África do Sul no ano que vem. Faltando duas rodadas, os Estados Unidos lideram a classificação com 16 pontos, seguidos pelo México, com 15. Honduras aparece em terceiro, com 13, seguida pela Costa Rica, com 12.

O quarto colocado na tabela ainda tem chance de se classificar. Para isso, precisa vencer um confronto mata-mata contra o quinto das eliminatórias sul-americanas, que no momento é a Argentina.

Além do lateral Figueroa, outros três jogadores são os destaques da equipe hondurenha: o meio-campista Wilson Palácios (Tottenham - Inglaterra), o atacante David Suazo (Inter de Milão - Itália) e o meia Hendry Thomas (companheiro de Figueroa no Wigan).